quinta-feira, 18 de julho de 2024

sobre

quando eu escrevia no blog a maioria dos títulos começavam com sobre. e nunca eram sobre muita coisa, porque, afinal, o que uma pessoa com trezes anos poderia escrever tanto sobre? mas eram sobre muito mais do que eu consigo escrever hoje.

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estava aqui, olhando livros para comprar, uma coisa que aliás eu ainda faço muito bem quando tenho dinheiro, que aliás é uma coisa que faço muito pior do que quando tinha treze anos, guardar dinheiro, e vi vários títulos começados com “sobre”. engraçado, porque parece que serão exatamente o que eram aqueles textos todos escritos por todas aquelas pessoas entre doze e vinte anos que eu lia.

mas escrever é muito difícil quando não é sobre algo. eu comecei um diário esse ano, porque eu achei que precisava voltar a pensar em palavras. eu nunca pensei MUITO bem em palavras, mas sempre consegui me organizar da melhor forma assim, mesmo que não fosse uma escrita organizada. sempre foi comentado como eu fazia ou frases muito longas que se perdiam ou frases muito curtas e muitas delas não estavam dispostas da forma mais organizada possível, mas estavam na minha cabeça. na faculdade de arquitetura consegui piorar muito mais isso. meus pensamentos podiam ser desenhados, podiam ser expressos em diagramas, em mapas conceituais, em cores, em fotos. resultado: não sei mais escrever nada, e o sofrimento é ainda maior se alguém tiver que ler o que eu vou escrever. me deixa extremamente ansiosa. mas então eu comecei um diário. o objetivo era escrever todo dia alguma coisa, igual eu fazia no blog: meus sentimentos, algo legal do meu dia, uma palavra, colar alguma coisa bonita, não sei, qualquer coisa. e eu falhei nesse objetivo.

eu queria que fosse algo físico, mas isso simplesmente não funciona pra mim. eu escrevo bem mais devagar do que penso no papel. e uma letra horrível. e não da pra pensar duas vezes. e nesses sete meses que já estão indo, eu devo ter escrito umas quatorze coisas no máximo, porque eu não consigo escrever, porque era pra ser tudo, e nunca é sobre muito.

engraçado que eu sentei aqui, sem compromisso algum com escrever qualquer coisa, só queria anotar que achei engraçado a coisa dos sobres e pensei hm, depois eu passo o pequeno pensamento que tive por escrito no caderno! e aí eu consegui escrever bem mais. acho que foram os anos de treinamento de abrir uma página em branco digital e digitar qualquer coisa sobre qualquer coisa.

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e porque esse velho hábito que eu não tenho mais mas me voltou tão naturalmente, tirando o fato de que provavelmente com bem menos acerto de palavras, com frases bem mais mal formadas e com bem menos graça literária de quando eu tinha até meus dezesseis anos, penso que se eu tivesse tentando voltar a organizar minhas ideias e sentimentos de forma escrita, assim, tão mais livre, eu teria conseguido bem melhor. ou não. ou todas as coisas que eu digeri até o presente momento do ano foram um pouco complicadas mesmo e eu não consegui colocar elas em palavras mesmo.

mas eu me sinto muito bem escrevendo de novo. talvez eu devesse sempre abrir uma página qualquer e digitar de vez em quando umas quinhentas palavras sobre algo sem voltar pra ler depois se o pensamento fez algum sentido mesmo, se está escrito certo, se a gramática está correta. faz bem.