terça-feira, 6 de agosto de 2019

janela

as luzes daquele prédio
o sol que reflete hora belo
hora não do outro
a torre
as casas pequenas
o que se parece casa pequena
não é casa pequena
telhados
caixas d'água
árvores
ruas
carros
barulho de carro
galos

as luzes daquele prédio
suas janelas meio opacas
amarelo branco preto
o que acontece?
eu lembro a primeira vez que reparei
eu não lembro o que acontecia

o sol no outro prédio
confusão
o que é ele?
a luz laranja o céu rosa
reflexo no verde
o branco padronizado
o vertical que compõe
reflexo no espelho

e todos os outros detalhes
todas as outras coisas
e todas as pessoas

sexta-feira, 26 de julho de 2019

difícil acreditar que deixo ir
por não ser suficiente
enquanto acredito que sou
e o resto se encarrega
de mostrar que não

faz tempo que as coisas flutuam
de um lado pro outro
sem se encontrar

deveriam

insuficiente
é constante
suficiente
pra deixar
medo

soberanar

sábado, 27 de abril de 2019

se ainda havia alguma dúvida, ela acaba
todo dia, menos e menos
e não, não é questão de impulsividade

fingir que é sempre uma questão de deixar acontecer
de seguir o fluxo que as coisas vão acontecendo de forma incerta
de que nunca se sabe, nunca se pensou
mentiras

nada segue seguindo desse jeito
deixar acontecer assim não é verdade nenhuma
eu não sou isolada
eu sou esse deixar ir
essas escolhas, que parecem acasos
mas sempre foram

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

eu tento ser produtiva
e as coisas ao meu redor me fluem de forma a ser
mas eu não sei
e tudo isso mal canalizado
e o quanto não sei
e esse ciclo vicioso de não fazer
por não saber fazer
mesmo que eu já tenha feito antes
acaba com o fluxo
há motivo
x

há razão
descubro, junto
o quanto falta descobrir
sobre mim

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

sobre quando os textos eram sobre alguma coisas

eu queria sentar e escrever sobre como a vida anda. como eu fazia. escrevia cartas para mim mesma e à leitor nenhum. e escrevia. relatava em detalhes que me parecessem relevantes as mais diversas coisas, os mais diversos episódios que me fizessem pensar que eu estava viva, que era pra isso que eu vivia - pro bem e pro mal.

hoje eu não sei quais desses momentos são válidos de se relatar. eu cheguei nessa conclusão, pensando muito porque não preciso mais tanto dessa expressão. e não que a vida tenha sido ruim. muito pelo contrário. tem sido cada vez melhor. inclusive, os momentos de querer sair gritando são cada vez menores.
isso tem a ver com crescer e amadurecer? não, né, eu ainda tenho dezoito.
mas pra mim, com certeza, tem a ver com deixar o que eu nunca fui.

que presunçoso.

mas é isso mesmo.

um tempo atrás eu estava olhando umas fotos de quando eu era criança. e eu sou sincera ao dizer que eu odiava ser criança, e odiava ainda mais ser eu quando criança. um ser inútil em meio ao entoo de que eu me vestia como uma louca e que eu era gorda demais e qualquer coisa assim. eduarda, eu sou sua melhor amiga, mas você é chata. essas coisas passam depois de um tempo. tem a ver com essas coisas.

mas, enfim, eu vim aqui, nessa página em branco, por causa de uma música, que parecia me dizer algo. daquelas que eu coloco naquela playlist que seria a trilha sonora de um filme. o álbum, em questão, termina com uma das músicas mais fraquinhas. mas ontem eu estava chorando por causa de uma delas. e do vídeo. e o vídeo meio que tinha alguma coisa a ver com isso. com o que vale ser vivido, e como só vale em determinados momentos.

eu me rendo. eu não sou mais a criança que queria escrever um livro. eu me julgo incapaz. eu não sou convincente o suficiente. eu não tenho nenhuma experiência de vida válida de ser relatada.
eu me rendo. eu aceito. eu não sou a criança especial que eu achei que um dia viria a ser. o brilho demais da tela do computador me incomoda, me dá a sensação de ser observada. eu não quero ninguém vendo minha aceitação de fracasso!

e das poucas certezas que eu tenho, além de ovo no miojo, que inclusive será minha janta, é que aceitar que eu não serei o que eu idealizei de mim é ok. e que as pessoas não são como eu as idealizei, também.

o que vem pela frente? (por que isso tá parecendo um texto de fim de ano? esse eu já fiz e o ano já começou?) eu não sei. mas ao mesmo tempo que eu queria encontrar a que valorizava tão pouco pra escrever e escrever eu sei que ela passou. ou talvez eu só precise de algo que faça eu valorizar cada e qual momento de forma tão minuciosa. de escrever com palavras inteiras. não tenho usado muito frases inteiras, cheias de sentido. tem sido assim que tenho pensado? passado?

eu não sei mais organizar os pensamentos. desculpa, desculpa. agora, e ainda sobre escrever, tenho sentido de um jeito diferente. que me convenço estar tudo certo apenas existindo e deixando ir.
se tem palavras que tenho usado e que de fato têm guiado minha existência é fluxo e feeling. é assim que as coisas têm sido. e deixo ir, porque também é o que tem pra fazer.

e toda vez que eu vou arrumar uma frase eu me distraio, e me vejo longe do que eu originalmente tinha me proposto a escrever. aí, ficar nessa de reler, de lembrar o que era, não. então eu me termino aqui. sem sentido. cheio de sentir.

(nota: parar com joguinhos bobos de palavras)

faça um favor a si mesmo, escute o remind me tomorrow.

sábado, 29 de dezembro de 2018

dois mil e dezoito

não tem momento que eu precise mais sentar e colocar as ideias em ordem do que no fim do ano. não sou de criar metas nem expectativa; sei que eu não vou cumprir -- e se não cumprir, irei ficar me sentindo incapaz e isso foge do meu estilo de vida. mas acho sempre razoável sentar e pensar sobre o que aconteceu nesse tempo. é o meu jeito de colocar o ano em ordem e tentar começar as novas fases com isso tudo refletido.

então vamos lá.

pra começo de tudo eu estava surtada. não sabia se entrava numa faculdade. tava morrendo de medo, na verdade. não tinha plena convicção na minha escolha, e achava que meu desempenho no enemzão não tinha sido satisfatório. porém, agora, devo admitir a todos: eu acredito mais do que devia no meu potencial e eu meio que sabia que ia dar porque é assim que as coisas tendem a ser e eu meio que sabia do meu curso apesar de falar que não. mas eu não gosto dessa coisa de expectativa e nem de admitir coisas que podem dar errado. e lá estou eu, me fodendo num curso que, ok, não era O SONHO DA MINHA VIDA. mas eu também não sabia o que era, então, sinceramente? foda-se.

sobre esse grande passo eu só posso dizer que... é isso. o começo foi horrível. aliás, era eu, uma assutada adolescente de dezessete anos, entrando em coisa de gente grande e rica -- apesar de, onde eu estudo, ser menos por ser mais fácil de entrar, ainda é bem elitizado. eu não sabia desenhar. eu nunca fui pra São Paulo. nunca nem tinha pensado muito profundamente sobre e aí o que é que faz mesmo? todo mundo era mais velho e mais inteligente, e eu, fechada do jeito que naturalmente sou, me sentia no lugar errado. MAS as coisas foram indo e talvez eu tivesse algo a falar sim, aliás, eu estava com a mesma bibliografia que aquela galera e, talvez nunca tivesse ido pro Louvre, mas, afinal, não é sobre isso. e principalmente as minhas pessoas. as minhas pessoas me fizeram fazer daquele sombrio lugar um lugar de discussões e cafés e descansos na sombra. tanto os que conheci por lá e se tornaram quase uma parte de mim, quanto aos fiéis amigos que levo da vida, estiveram aí, falando que ia dar tudo certo, e que se não desse, ok também, faz parte da vida.

claro que houveram choros no banheiro, no ônibus, desencantos com pessoas, maquetes que deram errado e muitas horas de sono que não tiveram. nunca fiz nenhum trabalho extremamente brilhante, e vejo que não sou a que em alguns anos estará em grande destaque no mercado ganhando uns prêmios aí. mas como crescimento pessoal foi incrível. tive incentivo pra expressar eu. e tive pessoas falando que na verdade era bem bom. tive a coragem de escrever uma poesia pra ler na frente da sala toda e colocar um cachecol numa árvore que não era minha sem pedir permissão. mas o principal foi aprender que tudo bem não ser a melhor, nem sempre da pra ser. às vezes ok pegar o pufe da biblioteca e dormir. faz parte. você não é menos ruim por isso.

como esse lado da vida exigiu muito de mim, no começo emocionalmente, e depois questão de ter muito o que fazer, três horas de ônibus por dia, etc etc etc, principalmente se colocando em comparação com o ano passado, me permiti expandir e retrair as relações pessoais. com quem não tava certa, ok, melhor deixar ir. com quem podia dar, ok, custa nada chegar do lado e oferecer um café. com quem estava tudo ótimo, é isso aí, continuemos nesse fluxo. no dia em específico não tô afim das pessoas? permiti estar no meu tempo e no meu humor. e se eu sentir vontade de escrever milhares de poesias apaixonadas por pessoas aleatórias e pessoas não aleatórias? é isso, de vez em quando é preciso.

me mudei mais uma vez. e foi ótimo. não gostava muito de onde morava antes, a energia de lá, a casa meio marrom demais. sentia um sufoco demais. gosto mais daqui. sobre isso, é isso.

li menos do que o normal coisas que queria ler. mas li coisas que realmente queria ler. reli muitas coisas sem aquele sufocante pensamento de bater meta. recomendei livros e aceitei recomendações e também larguei alguns pedaços. difícil, mas consegui.

não sou mais a pessoa que conhece as bandinhas, desculpa universo. sem disposição pra isso e acabo ouvindo karen dalton no ônibus todo dia mesmo. faz parte.

estou deixando o cabelo crescer. o que é difícil, após a afirmação de que acabo ouvindo karen dalton no ônibus todo dia mesmo, mas daí eu não tenho tesoura. tem sido um momento interessante. deixando a franja também crescer -- exercício de auto-controle e de controle emocional extremamente árduos. tenho descobrido uma nova estética minha. estou achando interessante isso. e como isso também me muda. experiências estéticas importam.

vamos falar de stardoll? claro que vamos! mas vamos do jeito certo, que é o livramento. passei dias sem entrar e não aquilo de aí foi ótimo, olha como tem vida lá fora, porque eu nunca deixei de dormir uma horinha a mais ou ir pra uma aula ou outro acontecimento por causa de jogo. mas realmente, causa alguma ânsia a menos. na verdade meu relacionamento com o online todo foi muito diferente. me via saindo muito disso tudo. usando só pra ganhar um aconchego nas pessoas que gosto. essa coisa é muito clichê, estou me sentindo ruim por falar isso. vou parar.

agora vamos falar de outro polêmico assunto que é saúde!!!! vômitos? não muitos. dores de cabeças? muitas. dores no estômago? mediante a comida disponível, alguma. continuo sendo uma pessoa que acha que todo mundo é insensível a conversas longas e detalhadas sobre o que saí do meu estômago sem antes fazer digestão? faz parte.

vou deixar de nota o período eleitoral que foi desgastante e decepcionante, mas foi interessante, mas por ter sido desgastante, será apenas uma nota. me via vendo gente que achava uma coisa falando coisas bem diferentes do que eu achava que ela falaria. me via pensando muito sobre o que eu acho sobre as coisas e se só achar é suficiente. me via saindo das rede sociais porque precisava respirar. foi, tenho certeza, para muitos, um momento de muita reflexão sobre a gente e sobre a gente que a gente conhece. foi interessante.

em balanço, foi um ano muito bom, sim. novas coisas, muitas coisas novas. novas perspectivas. novos pensamentos. não tão nova eduarda, mas, sim, diferente. agora ela pega papel e fala mmmm a gramatura desse papel. uma eduarda pior? melhor? esse tipo de coisa nem existe.

eu tinha mais coisa pra escrever mas fui esquecendo. então é isso. ano novo. levando as coisas do velho. hora de estourar a la farruca e brindar. viva.

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA