29/01/2026

vinte e cinco

é meu aniversário. em breve. talvez quando eu publicar esse texto já até tenha sido. vinte e cinco é uma idade que parece tão séria. as pessoas estão casando, estamos realmente falando sobre essas coisas, sobre ter filhos, sobre comprar carro, comprar casa. acho que é um questionamento muito recorrente quando somos mais jovens, quando vamos de fato ser e se sentir adultos. e aí em um momento a gente sente, não exatamente sendo aquela ideia de ADULTO, mas as pretensões, os locais, as falas... as coisas apenas mudam? como ontem, que de noite, quando tomei banho, já tinha pensado que calça usaria hoje cedo no trabalho, e que ela exigia uma calcinha específica. pequenas coisas. também nunca mais errei o corte da minha franja. franja vegana? só se eu realmente quiser!

todo ano decidir o que eu vou fazer para o meu aniversário é terrível. eu gosto de festa, eu gosto de sair, eu odeio ser anfitriã. eu acho que queria fazer aniversário na época de carnaval, que aí era só escolher alguma festa pré, durante ou pós carnaval. ou em junho/julho, que aí festa junina é uma coisa que, assim, não é muito minha. acho que mais no carnaval que no meio do ano, eu sou muito mais uma pessoa do verão. enfim, alguma data que a comemoração não seja, necessariamente, eu. mas esse ano eu comprei balões em novembro, num impulso de "já que estou no Paraguai e eles têm um preço ótimo e olha esse rosa com corações" e decidi que, sim, eles seriam usados. mas eu faço aniversário dia um milhão de janeiro, nem a aniversariante tem dinheiro mais para poder comemorar.

então marquei num bar onde a gente sempre vai. comprei velas. essa altura ainda não decidi de bolo, acho que vou comprar uns muffins de chocolate de um lugar que eu gosto, mais prático para levar, mais prático para caso alguém não queira comer na hora levar para casa. e alguns docinhos, até, quem sabe. e isso vai ser tudo de festa. escrevendo isso um dia antes, com cólica e nenhuma vontade de fazer festa, montando meu roteiro de cortesias. começaremos com um almoço, eu e minha irmã mais nova. terei que pagar o almoço dela, mas paciência. depois, cinema. lanchinho? uma trufa da cacau show. qual filme? aparentemente bob esponja. queria zootopia, mas só tem um horário que fica meio ruim, aliás, marquei cedo as comemorações, estaremos numa terça feira. quem sabe de noite eu ganhe um drink? não sei se esse local tem algo para aniversariantes. 

e, não sei. ano passado meu texto de aniversário foi meio triste, meio pessoa sem rumo.  mas foi um ano que eu meio que entendi qual o rumo. e não me culpo por ainda não ter chego, sabe-se lá onde. sem muita pressão, mas alguns objetivos.

***

e voltamos dois dias depois para dizer que a trufa minúscula da cacau show, não fui no cinema, não estava com paciência para ver o que tinha disponível e, sim, ganhei uma cortesia no bar. acordei para comer bolo, que ia ser o bolo da noite, mas estava menstruada demais para esperar, e tomei um longo café da manhã com minhas irmãs. depois fomos no shopping, tava um calor do caralho e eu não estava muito afim do restaurante inicial. olhei os bolos e peguei o menos feio do mercado, que é muito ruim e provavelmente vai ir para o lixo o resto. de noite falamos por horas e horas e um dos meus balões estourou, e eu queimei minha unha. e eu amo muito minhas pessoas. todas elas.
o primeiro dia dos 25 foi um dia e o segundo outro, já bem diferente. e hoje, o terceiro, um outro ainda.

08/01/2026

dor de ouvido

acho que a palavra otite não exprime a coisa que é. dor de ouvido eu já acho que parece dor meio inventada, uma dor de criança, mais birra que dor. nenhuma das duas eu gosto. dói demais. e aí eu tenho que viver de forma meio birrenta, porque atrapalha minha vida. quero deitar e só.

estou há dias com dor no ouvido, eu tenho um problema meio que crônico com dor no ouvido, desde sempre. eu nunca fui realmente ver o que era, mas quando criança era pisar numa praia que eu ficava com dor e minha mãe vinha pingar as gotinhas. lembrei das gotinhas. eu usava muita gotinha no ouvido. porque agora eu só tomo um ibuprofeno e rezo para que passe logo, mesmo sabendo que não vai?

eu sei que não vai, porque é, como disse, uma coisa recorrente. acontece se entra água, uma motivo normal; acontece se eu, como agora no fim do ano, vivo uma vida desregrada na alimentação, sono e hidratação; acontece quando me sinto sobrecarregada e estressada; acontece se eu fico com dor de garganta, quase sempre vai evoluir para dor no ouvido... 

tiveram dois dias que fiquei imprestável por causa desse ouvido, que nem remédio me ajudou. ontem e antes de ontem. uma escolha de dias bem ruim considerando que foi bem quando todo mundo aqui em casa foi viajar. ou boa, considerando que passei duas madrugadas levantando de hora em hora, comi todo o pão, porque só comi pão e não fui útil para muito. eu já não sou fã de ser inútil sozinha, quando os outros estão por aí é pior ainda. a única parte mais ruim são os meus pensamentos de se eu morrer agora (por uma dor de ouvido rs, eu sou um pouco dramática) só vão me achar dias depois!!!! esses soaram alto por aqui, mas fiquei deitada com paninho quente no ouvido umas três horas seguidas sem nenhum problema estando sozinha.

isso de se cobrar utilidade, agora no começo do ano, cheio de metas novinhas para eu querer fazer tudo, foi forte. estudei pouco e mal. trabalhei mal. dormi mal. não consegui ir na academia. não fui fazer minha horinha de caminhada. comi mal. mal limpei a casa, e quando vi estava descendo o lixo dez da noite porque mais um pouco ia estar cheio de larva. não levei meu cachorro passear. esqueci de regar as plantas. demorei vários dias para terminar um livro de 120 páginas. mas a eduarda de 2026 é uma pessoa que se permite ser inútil quando a vida pede, até porque o tarô mandou. precisei descansar, hoje voltei aos pouquinhos. 

e não ia escrever sobre isso e não ia escrever sobre nada, mas no fim do ano passado abandonei de escrever. não vou abandonar de novo. abandonei porque não tinha muito o que escrever. esse fim de ano meio cansado de festa todo dia, muitas pessoas e tudo, não fiquei muito com vontade. e agora, lendo o que estava lendo, pensei sobre o que vale a pena ser escrito. quase nada vale. todas essas quinhentas palavras são de graça de tudo para mim, se não valerem serem escritas, tudo bem. ninguém ganhou ou perdeu algo. escreverei então de forma desordenada sobre – e por causa da – dor de ouvido. 

05/01/2026

primeiros dias

não consigo fugir da alegria da virada do ano, das promessas de vida nova. esse ano me propus a escrever em cadernos, anotar as coisas que penso também em canetas, e não só em palavras digitadas. dia cinco e ainda estou animada com isso. eu poderia dizer que provavelmente não vai durar, mas eu quero que dure.

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nessa de caderninho, de ano novo, ontem, domingo, fomos sentar e fazer colagem de vision board. hoje vi um tiktok sobre como as pessoas não colocam, sei lá, uma sinuquinha no delas. e aí eu e minhas amigas procurando bares, pessoas que parecem felizes vivendo coisas fora de casa. queria que minha visão de vida bonita fosse matcha e comprar coisas. mas eu estávamos lá, falando que com certeza ano que vem vamos ir no ensaios da anitta, e colando anittas no nosso vision board.

eu PRECISO que esse seja um ano de movimento. todos os tipos.

mas talvez as pessoas não precisem colocar essas coisas porque elas já estão de divertindo. ou porque não é preciso de esforço para isso. ou sei lá. eu não vi a discussão completa, só achei engraçadinha a colocação. e, de fato, são livros e pessoas fazendo exercícios físicos e viajando. 

a cerveja do bar do barriga estava geladíssima, a skol beats verde nova é horrível, e o tempo voa quando se está só batendo papo e vivendo. quando vi, já passava da meia noite. voltei a trabalhar hoje, e fui morrendo de sono. boas noites de sono podem ser conteúdo de vision board?

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com frequência acho que não vivo uma vida tão bonita, e entro em crise, de que eu poderia estar querendo muito mais para a minha vida. mas as coisas que eu quero envolvem ir para os lugares caminhando tranquilamente, estar perto da minha família, trabalhar tranquilamente e ver as pessoas que amo com frequência. consegui fazer as pazes com essa minha visão de mundo, mas, com frequência, e só hoje mais de uma vez, pensei que talvez eu só não tenha nenhuma ambição e aceite muito pouco da vida. não é bem assim, mas também não é não bem assim.

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estou lendo um livro que eu não estou gostando. mas ao mesmo tempo os textos, que são todos curtos, vão indo de forma bem fluída, e meus pensamentos também. do livro, absorvo muito pouco. das ideias que as coisas que eu não estou prestando tanta atenção, absorvo muito.

eu amo a surpresa da vida, e das coisas que não se sabe muito bem se deveriam ser assim. essa frase pra dizer que a quantidade de gente fazendo propaganda de inteligência artificial para ler para você me irrita; o tanto de coisa que não está no texto, mas está na minha cabeça e o texto que eu talvez nem esteja lendo me faz lembrar e pensar... isso é tão lindo.

estou lendo um livro que não estou gostando e ele me deu vontade de escrever sobre uma coisa. eu também esqueci qual era essa coisa, mas assim são as coisas também.