08/04/2026

anotando

ontem fiz uma oficina de escrita. e eram várias pessoas de ecobag e sapatinhos diversos de couro e chinelos. quase errei o dresscode! a ideia era escrever sobre amor a partir da sujeira. minhas conclusões: eu realmente tenho uma mente bem limitada nos temas e desenvolvimento, principalmente considerando ficção. e falar de coisas nojentas, desordenadas e confusas é apenas mais um dia na minha vida.

dito isso, foi muito legal. até porque é bem fácil falar de sujeira.

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fiquei muitos dias sem escrever nada, minha rotina está fechadissima com ter dois trabalhos, estudar, ir para a academia********************************** salto de tempo*******************

meses depois volto: a verdade é que em algum momento a ideia de exposição foi demais. qual o limite entre a ficção, entre a realidade e as coisas que acontecem só nos pensamentos? qual a verdade absoluta de qualquer coisa escrita, qualquer coisa criada?

então esse ano eu voltei para o caderno. para o que só eu sei, e ninguém vai tirar nada dali. mas eu anoto uma ou outra coisa, e volto para as palavras soltas, para a desordem. queria ser mais dos cadernos. mas não sou. não achei a caneta perfeita. o modo perfeito. o tudo.

quanto tudo é só luz, é fácil apagar, é fácil achar que é qualquer coisa.

então porque não escrever por aqui, mas não de forma aberta?
apego emocional ao que já foi, e foi por muito tempo.

escrever sempre é motivo de crise, escrever é sempre uma crise. eu já aceitei que não sei, e desaceitei tantas vezes. e nunca sei o que fazer. com as palavras, com os lugares para colocar as palavras, com o real e irreal que quero colocar em palavras. com o sentimento de exposição, mas também de que há alguém aqui, de consolo, de companhia.

então não é rotina, mas é. é um ciclo. escreve. esqueço de escrever. escrevo. decido que não quero. e assim, até o fim dos meus dias.

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