e é tudo preparo e espera. faço um curso novo, espero um trabalho novo, espero uma vaga num curso novo, penso numa utilização para esse curso novo. vou na academia, espero um momento que isso faça algum resultado estético e não só para a saúde. leio um livro, espero um momento de falar sobre ele. compro guloseimas, não espero muito e como logo, porque algo está no meu controle. ou descontrole.
todo dia corre igual, me chateio. um dia algo não corre igual, e saio da rotina. me chateio também. uma corrida, eterna, atrás de algo. quer dizer, nem sempre é corrida. na maioria das vezes é espera. eu fiz algo, espero que ela se torne outra coisa. enquanto isso, faço mais algo, mas então eu espero que ela vire outra coisa ainda. mas sempre me chateio, e sempre procuro o que poderia ter sido. eternamente atrás, também, do que poderia ter sido. da necessidade de ter todas as opções sempre em aberto. ou ao alcance, de alguma forma. deixo tudo ir. não deixo nada ir. mas são coisas diferentes. uma eu deixo ir. a outra não. todas as coisas estão acontecendo ao mesmo tempo. e todas estão inertes ao mesmo tempo. e em alguns dias isso está tudo bem. e em outros, não.
chega uma hora que tudo é só abstração, e abstraindo e abstraindo e abstraindo, no fim, nada vale a pena de nada. e abstraindo e abstraindo e abstraindo esse nada, então tudo vale a pena de novo. ciclo de viver, de não conseguir viver, de achar que viver nem vale nada, e então viver é tudo. também é uma espera, de passar, algo. e coisinhas serão feitas para esperar esse algo. e então essa coisinhas virarão outras coisas a se esperar.
e voltas e voltas e voltas e voltas e voltas falando a mesma coisa.
espero. e corro. tudo no mesmo lugar.
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