27/01/2025

leituras janeiro/25

sinto muita saudade de escrever. não sei mais escrever. mas eu sinto falta desse momento de sentar e pensar um pouquinho sobre as coisas. parei de avaliar livros e coisas porque sempre mudava de ideia um pouco depois. mas acho que falta eu lembrar delas um pouco depois, mesmo que só da sensação imediata. então estamos aqui escrevendo sobre o que foi lido, pelo menos agora no começo do ano.

primeira leitura: o vampiro antes de drácula, org. martha argel e humberto moura neto.

ganhei esse de amigo secreto no natal, estava desde que vi que seria lançado querendo muito ler. amei ler drácula, adoro esse universo místico mágico macabro e a ideia do livro de trazer como que a evolução do mundinho vampiro até o que se tem como o clássico hoje. o livro traz contos variados, assim como dois textos que falam um pouco sobre a evolução da criação desse personagem, e no fim de cada conto uma pequena biografia e explicação da importância do conto em questão para a ficção vampirística. achei muito bom esse formato. essa edição tem ilustrações lindas, o que me ganha muito também. 

como qualquer antologia, é difícil gostar de todos os contos, e de fato alguns não me pegaram. como são todos mais ou menos a mesma coisa, pode se tornar um pouquinho cansativo ler todos seguidos, apesar de ser um livro rápido: fica aquela sensação de "nossa, mas de novo!". mas por serem contos da para simplesmente pular os que não gosta, ou ler um pouquinho e voltar depois. como só levei ele para ler em uma viagem, acabei lendo meio picado com outros passeios ou um tempinho no tiktok, e isso ajudou a deixar fluído mesmo assim.

gostei muito que ganhei e li ele bem certinho com o tempo de ir assistir nosferatu no cinema. 

conto preferido foi o do h. g. wells, com uma abordagem vampira um pouquinho diferente (do autor eu só li a máquina do tempo e gosto do livro. o conto fez eu colocar um pouco acima de prioridade outras coisas dele).

segunda leitura: o amor não morreu, de ashley poston

começando a escrever ainda nas primeiras páginas. comprei em viagem numa daquelas bancas de qualquer livro por quinze reais. era o último, então poderia ser um indicativo que é bom, mas geralmente livro nessas lojas são na verdade um indicativo de que são ruins ou saturados. nas primeiras páginas eu achei ela um chata. vou sentar agora e ler mais um pouco. vamos ver o que vem por aí.

terminei. ela é definitivamente meio chata. esse personagem desastradinha, perdidinha mas ao emsmo tempo tentando ser forte e "nossa como faço tudo sozinha" me irrita. pior que comecei um agora que ela assim também. eu meio que não esperava do nada a revelação de que ela vê fantasmas. não é meu tipo de coisa, acho bem tosco. tem toda uma tensão de que ela foi embora da cidade e sinceramente o motivo não me foi forte o suficiente pra ela ficar anos sem ir pra lá, acho que ela ficou ainda como uma tonga meio egoísta. 

definitivamente um não na minha vida. e eu arrisco a dizer que estou é ficando saturada desses romances que já começa sabendo tudo. as vezes o livro nem é ruim, é só isso mesmo. mas os fantasmas, o drama por muito pouco... pra mim... definitivamente não.

duas observações que é meio a única coisa que ficava pensando: se fantasma atravessa parede e as pessoas como é que eles sentam eles não atravessam? flutuam e ai por hábito flutuam acima das coisas? eu definitivamente seguiria fazendo coisas por hábito. e também: eles sendo do mesmo ambiente, e ela simplesmente aceitou que ele morreu sem ir atrás pra saber tipo ficou uma semana inteira nisso? juro. não.

terceira leitura: amor por engano, de lynn painter

livro ruim. me fez pensar que as vezes uma leitura muito leve e rápida só irrita. eu ficava o tempo todo pensando que eu queria ler algo com alguma profundidade, com alguma coisa interessante acontecendo (próxima leitura vai ser o mágico de oz, mas, enfim....) eu realmente não entendo quem só lê isso. li dois livros mais leves bobinhos seguidos e sinceramente que irritação. mas eu também não tava nuns dias dos melhores no meu humor.

a personagem principal é uma pessoa totalmente sem noção. tem algumas cenas que são para tentar parecer que nossa ela é um espírito livre, como ela é doidinha, como vive itnensamente e nossa como o cara é muito certinho e mandão e bitolado com as coisas, mas ela só está sendo sonsa e desrespeitosa com o espaço pessoal de outra pessoa mesmo, e aí ela fica como certa???? ruim mesmo.

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de fato, o exercício de sentar e escrever tem sido bom. espero continuar. e sobre os livros também. tipo assim, o objetivo definitivamente não é fazer uma super resenha, é só fazer um comentário mesmo e pensar uns minutinhos a mais sobre o que foi lido, proque tem certas coisas que eu li que eu não queria pensar cinco minutos a mais, mas tudo bem :D

vinte e quatro

tem uns dias que venho sentindo um completo fracasso.

vinte e quatro anos é uma idade que as coisas começam a parecer meio sérias: é um idade completamente aceitável para ter uma casa, um carro, casar, filhos, emprego estável com um salário de adulto. e aí você chega ali e percebe que não tem absolutamente NADA disso.

minha vida financeira exatamente igual a de quando era estagiária – o que aí obviamente fica claro que nada de carro e essas coisas..... –, minha vida amorosa um completo fracasso. me olho no espelho e não me reconheço mais nem como uma coisa que eu já fui e nem com algo que eu seja. eu... só.... não sei.... e só pra dizer que nem tudo é fracasso, e as vezes por causa disso que eu esteja do jeito que estou, eu tenho uma família e amigos ótimos, mas isso não é exatamente uma conquista né?

e por ser assim que me encontro, no limbo do insucesso e do nada, essa foi a primeira vez que fazer aniversário foi difícil.

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acordei três da manhã pra chorar, não sem antes ter chorado pelo menos três dias antes. acordei de novo para ir trabalhar. a primeira coisa que fiz, com os olhos ainda meio inchados da madrugada, foi tirar um tarô para essa idade. os amantes. dualidade? escolhas??? parcerias??? olhar a vida com paixão?????? não que me surpreenda. eu estou fazendo isso. mas aparentemente estou fazendo mal.

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além do sentimento do fracasso tem o sentimento de não ser tão jovem. de não existirem desculpas. você não está mais aprendendo. você não está mais tão no começo. você pode ter um discernimento do mundo. você entende. ou deveria entender. não é mais dar um sorriso e falar opa deu errado, eu sou tão juvenil. isso me assusta. na minha cabeça eu só consegui muito dessas coisas por causa disso. eu sei que eu sou absolutamente capaz de todas as coisas que eu já fiz e que quero fazer. mas não ter mais o privilégio da extrema juventude assusta. saber fazer bem uma coisa não é uma coisa especial, é uma obrigação. a vida parece um pouco mais uma obrigação.

não que eu ache a vida adulta ruim, muito pelo contrário. eu jamais voltaria a ser criança ou adolescente, embora eu definitivamente teria 21/22 anos pra sempre, se me perguntassem, não vou mentir. só que agora, nesse momento da minha vida, parece que a responsabilidade que eu tenho é uma que considerando os passos dados na vida eu já devia ter chego. mesmo que sejam coisas, TODAS, que dependam de fatores externos fora do meu controle. 

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quando eu acordei eu senti que eu precisava muito escrever sobre para esclarecer as ideias. mas a verdade é que já pensei tanto que as ideias se resumem em: é eu meio que sou um fracasso e meio que deve ser culpa minha, mas eu também tô fazendo tudo o que é possível para que não seja, um trabalho que é na minha área, é legal, estou ganhando experiências legais, mas definitivamente não é o quanto eu quero ganhar, sigo estudando, sigo indo todo dia na academia e me alimentando bem – e preciso dizer que eu estou cada vez mais gostosa, e talvez essa seja a minha única conquista! –, sigo conhecendo pessoas e sempre me abrindo para experiências diferentes... eu realmente não sei o que mais eu posso fazer, talvez seja só essa pressa de ter tudo, vendo outros tendo antes de mim, e eu só preciso esperar que as coisas se alinhem no momento certo, tendo meu tempo para que as opções que eu realmente quero estejam presentes. porque é certo que não quero algo que não quero mas que seria mais aceitável. e assim seguirei tentando fazer.

mas hoje o que eu vou fazer é usar meu ingresso de aniversariante para assistir chico bento. 

feliz aniversário para mim!

10/01/2025

treze dez vinte e três

 penso muito em quando eu tinha treze anos

eu tenho vinte e três anos, e constantemente penso em quando eu tinha treze. aquela coisa de que realmente é uma idade que muda muito na vida de uma menina, e é mesmo. o tempo todo eu penso no que mudou e no que nunca vai mudar, porque dez anos é tempo suficiente, eu acho, pra poder ter esses distanciamento e ver onde a vida tá levando a gente.

a coisa é: a vida vai levando. nessa hora as vezes chega o questionamento se eu me levei ou ela levou e para onde. os últimos dias têm sido um pouco estranhos, e eu sinto que não fui pra lugar nenhum, e minha cabeça só pensa se eu errei ou se só ainda é cedo. qual o limite do cedo? quando é tarde demais?

com treze anos é cedo demais, mesmo que nesse momento a gente decida muito. nesse momento que sinto que nada está dando em nada me agarro no que eu tenho desde sempre: um pouco de escrita, um pouco de músicas que me confortam – e nesse momento me encontro escutando strokes, lugares que a gente volta quando tudo desanda –, um pouco de sonhar com o que mais.

às vezes o que faltou com treze anos foi sonhar um pouco mais. e com coisas possíveis. qual foi a meta? eu acho que não exatamente cheguei nela, mesmo que ela não existisse, mas na verdade a gente não tem noção de o que seremos, quão novo tudo continua sendo. porque continua. será que para sempre? ou será que alguma hora a sensação de desbravar o mundo acaba?

poderia falar que o saldo positivo é que a calma cresce minimamente, o controle emocional. mas tem horas que eu sou uma menina de treze anos cortando a franja. mas daí o controle emocional é que ficar ridículo não é exatamente um problema mais. mas não sei se é isso ou se é só aceitar que o tempo passa, mais rápido do que a gente gostaria. enquanto ele parece um pouco estagnado. e da nossa insignificância. ela cresce e muda de jeito. mas no fim, as coisas seguem sempre as mesmas.

na verdade as coisas vão fluindo devagar, elas mudam aos poucos e aos poucos e aos poucos. a sensação de que tudo está parado é horrível, mas olhando ao para trás as coisas se movimentaram. depende de qual movimento você queria. esse vinte e três anos me pareceu pouco, mas eu fiz algumas coisas importantes para mim. esse texto começou a ser  escrito num momento que eu sentia que nada ia para lugar nenhum, e hoje, vários meses depois e quase vinte e quatro, eu não lembro quais eram essas coisas.

pensando bem, ainda estou exatamente no mesmo lugar, mas em outro.

pessoas passaram, pessoas chegaram, meu corpo mudou, conheci novos lugares, descobri novas coisas que gosto, aceitei outras que não, e enquanto o futuro ainda me parece instável e outras pessoas no mesmo tempo que eu tenham vidas diferentes, no fim, eu acho que quem eu era com treze anos não ia estar satisfeita com o que somos dez anos depois, porque acho que ela se levava um pouco mais a sério. eu de vinte e três também não estou satisfeita, mas sei que é passageiro. o sentimento de estagnação vem de as coisas serem feitas devagar. mas eu não tenho muito problema com isso.

também parei um pouco de pensar muito em quando eu tinha treze anos.

18/07/2024

sobre

quando eu escrevia no blog a maioria dos títulos começavam com sobre. e nunca eram sobre muita coisa, porque, afinal, o que uma pessoa com trezes anos poderia escrever tanto sobre? mas eram sobre muito mais do que eu consigo escrever hoje.

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estava aqui, olhando livros para comprar, uma coisa que aliás eu ainda faço muito bem quando tenho dinheiro, que aliás é uma coisa que faço muito pior do que quando tinha treze anos, guardar dinheiro, e vi vários títulos começados com “sobre”. engraçado, porque parece que serão exatamente o que eram aqueles textos todos escritos por todas aquelas pessoas entre doze e vinte anos que eu lia.

mas escrever é muito difícil quando não é sobre algo. eu comecei um diário esse ano, porque eu achei que precisava voltar a pensar em palavras. eu nunca pensei MUITO bem em palavras, mas sempre consegui me organizar da melhor forma assim, mesmo que não fosse uma escrita organizada. sempre foi comentado como eu fazia ou frases muito longas que se perdiam ou frases muito curtas e muitas delas não estavam dispostas da forma mais organizada possível, mas estavam na minha cabeça. na faculdade de arquitetura consegui piorar muito mais isso. meus pensamentos podiam ser desenhados, podiam ser expressos em diagramas, em mapas conceituais, em cores, em fotos. resultado: não sei mais escrever nada, e o sofrimento é ainda maior se alguém tiver que ler o que eu vou escrever. me deixa extremamente ansiosa. mas então eu comecei um diário. o objetivo era escrever todo dia alguma coisa, igual eu fazia no blog: meus sentimentos, algo legal do meu dia, uma palavra, colar alguma coisa bonita, não sei, qualquer coisa. e eu falhei nesse objetivo.

eu queria que fosse algo físico, mas isso simplesmente não funciona pra mim. eu escrevo bem mais devagar do que penso no papel. e uma letra horrível. e não da pra pensar duas vezes. e nesses sete meses que já estão indo, eu devo ter escrito umas quatorze coisas no máximo, porque eu não consigo escrever, porque era pra ser tudo, e nunca é sobre muito.

engraçado que eu sentei aqui, sem compromisso algum com escrever qualquer coisa, só queria anotar que achei engraçado a coisa dos sobres e pensei hm, depois eu passo o pequeno pensamento que tive por escrito no caderno! e aí eu consegui escrever bem mais. acho que foram os anos de treinamento de abrir uma página em branco digital e digitar qualquer coisa sobre qualquer coisa.

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e porque esse velho hábito que eu não tenho mais mas me voltou tão naturalmente, tirando o fato de que provavelmente com bem menos acerto de palavras, com frases bem mais mal formadas e com bem menos graça literária de quando eu tinha até meus dezesseis anos, penso que se eu tivesse tentando voltar a organizar minhas ideias e sentimentos de forma escrita, assim, tão mais livre, eu teria conseguido bem melhor. ou não. ou todas as coisas que eu digeri até o presente momento do ano foram um pouco complicadas mesmo e eu não consegui colocar elas em palavras mesmo.

mas eu me sinto muito bem escrevendo de novo. talvez eu devesse sempre abrir uma página qualquer e digitar de vez em quando umas quinhentas palavras sobre algo sem voltar pra ler depois se o pensamento fez algum sentido mesmo, se está escrito certo, se a gramática está correta. faz bem.

18/06/2022

liguei uma câmera, 

assim posso me monitorar.


quem sou eu quando eu estou me vendo?

16/06/2022

sou/não sou

às vezes acho que ocupo muito espaço, que não há lugar pra tudo isso em lugar nenhum. que ninguém está disposto a receber essa carga toda, que ninguém quer o que tenho. aí penso, será que é porque esse espaço todo que eu ocupo é só tralha? nada de útil, apenas uma caixa que junta poeira e qualquer dia desses umas traças, incômoda, atrapalhando o fluir do espaço?

às vezes acho que ocupo muito espaço, mas na verdade, acho que nunca ocupo espaço nenhum. nunca perceptível, apenas implodo por onde passo, e ninguém vê. ninguém nunca vê. acho que então não sou nada, apenas um vazio. mas até o vazio, às vezes, ocupa muito espaço. 

sigo sendo qualquer coisa, que não é coisa demais. nem coisa de menos. sendo qualquer coisa, pra qualquer pessoa, com qualquer objetivo. tenho medo de te um objetivo, e então demandar ser algo. não sou nada. nem incômodo, nem vazio, nem coisa demais. 



nem nada.

13/06/2022

do tempo que escrevi

quando eu era mais nova, escrevia sempre em primeira pessoa. minhas experiências ou qualquer coisa que não era minha mas eu achava que poderia falar. escrevia muito porque me sentia muito perto de nada. gostava da não materialidade de escrever num espaço virtual, escrever em palavras incertas.

ai a coisa cresceu dentro de mim, e me sentia insegura com o que eu escrevia. não era bom. não tocava mais ninguém. não queria escrever em eu, não queria que fosse sobre eu. mas no fim, e discussões todas a parte, é sempre sobre eu. e a partir disso, parece que fui morrendo.

as coisas mudaram, e eu mudei. e minha forma de pensar mudou. então eu não estava mais preocupada com escrever tanto assim. as coisas me atropelaram, e foram indo em outra direção. aprendi a pensar de outra forma, pensar em forma. os pensamentos começaram a se materializar de outra forma, de forma material. eles começaram a se tornarem também menos abstratáveis. frases objetivas, falar as coisas  o que são. em outros meios. para pessoas. eu queria que alguém realmente ouvisse qualquer coisa que eu tivesse pra falar.

e ai que falei muito, e muito, e igual ninguém ouviu nada. nessa jornada das palavras e da procura por posicionar elas bem, achando sempre tudo errado. era tudo errado. será que eu que era errada? a forma de formar as frases, a quantidade de palavras, o tema, nunca satisfeita. e tudo sempre nunca satisfeita comigo, no fim das contas.

se ainda escrevo? não sei. mas continua fiel essa amiga, as palavras.