08/01/2026

dor de ouvido

acho que a palavra otite não exprime a coisa que é. dor de ouvido eu já acho que parece dor meio inventada, uma dor de criança, mais birra que dor. nenhuma das duas eu gosto. dói demais. e aí eu tenho que viver de forma meio birrenta, porque atrapalha minha vida. quero deitar e só.

estou há dias com dor no ouvido, eu tenho um problema meio que crônico com dor no ouvido, desde sempre. eu nunca fui realmente ver o que era, mas quando criança era pisar numa praia que eu ficava com dor e minha mãe vinha pingar as gotinhas. lembrei das gotinhas. eu usava muita gotinha no ouvido. porque agora eu só tomo um ibuprofeno e rezo para que passe logo, mesmo sabendo que não vai?

eu sei que não vai, porque é, como disse, uma coisa recorrente. acontece se entra água, uma motivo normal; acontece se eu, como agora no fim do ano, vivo uma vida desregrada na alimentação, sono e hidratação; acontece quando me sinto sobrecarregada e estressada; acontece se eu fico com dor de garganta, quase sempre vai evoluir para dor no ouvido... 

tiveram dois dias que fiquei imprestável por causa desse ouvido, que nem remédio me ajudou. ontem e antes de ontem. uma escolha de dias bem ruim considerando que foi bem quando todo mundo aqui em casa foi viajar. ou boa, considerando que passei duas madrugadas levantando de hora em hora, comi todo o pão, porque só comi pão e não fui útil para muito. eu já não sou fã de ser inútil sozinha, quando os outros estão por aí é pior ainda. a única parte mais ruim são os meus pensamentos de se eu morrer agora (por uma dor de ouvido rs, eu sou um pouco dramática) só vão me achar dias depois!!!! esses soaram alto por aqui, mas fiquei deitada com paninho quente no ouvido umas três horas seguidas sem nenhum problema estando sozinha.

isso de se cobrar utilidade, agora no começo do ano, cheio de metas novinhas para eu querer fazer tudo, foi forte. estudei pouco e mal. trabalhei mal. dormi mal. não consegui ir na academia. não fui fazer minha horinha de caminhada. comi mal. mal limpei a casa, e quando vi estava descendo o lixo dez da noite porque mais um pouco ia estar cheio de larva. não levei meu cachorro passear. esqueci de regar as plantas. demorei vários dias para terminar um livro de 120 páginas. mas a eduarda de 2026 é uma pessoa que se permite ser inútil quando a vida pede, até porque o tarô mandou. precisei descansar, hoje voltei aos pouquinhos. 

e não ia escrever sobre isso e não ia escrever sobre nada, mas no fim do ano passado abandonei de escrever. não vou abandonar de novo. abandonei porque não tinha muito o que escrever. esse fim de ano meio cansado de festa todo dia, muitas pessoas e tudo, não fiquei muito com vontade. e agora, lendo o que estava lendo, pensei sobre o que vale a pena ser escrito. quase nada vale. todas essas quinhentas palavras são de graça de tudo para mim, se não valerem serem escritas, tudo bem. ninguém ganhou ou perdeu algo. escreverei então de forma desordenada sobre – e por causa da – dor de ouvido. 

05/01/2026

primeiros dias

não consigo fugir da alegria da virada do ano, das promessas de vida nova. esse ano me propus a escrever em cadernos, anotar as coisas que penso também em canetas, e não só em palavras digitadas. dia cinco e ainda estou animada com isso. eu poderia dizer que provavelmente não vai durar, mas eu quero que dure.

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nessa de caderninho, de ano novo, ontem, domingo, fomos sentar e fazer colagem de vision board. hoje vi um tiktok sobre como as pessoas não colocam, sei lá, uma sinuquinha no delas. e aí eu e minhas amigas procurando bares, pessoas que parecem felizes vivendo coisas fora de casa. queria que minha visão de vida bonita fosse matcha e comprar coisas. mas eu estávamos lá, falando que com certeza ano que vem vamos ir no ensaios da anitta, e colando anittas no nosso vision board.

eu PRECISO que esse seja um ano de movimento. todos os tipos.

mas talvez as pessoas não precisem colocar essas coisas porque elas já estão de divertindo. ou porque não é preciso de esforço para isso. ou sei lá. eu não vi a discussão completa, só achei engraçadinha a colocação. e, de fato, são livros e pessoas fazendo exercícios físicos e viajando. 

a cerveja do bar do barriga estava geladíssima, a skol beats verde nova é horrível, e o tempo voa quando se está só batendo papo e vivendo. quando vi, já passava da meia noite. voltei a trabalhar hoje, e fui morrendo de sono. boas noites de sono podem ser conteúdo de vision board?

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com frequência acho que não vivo uma vida tão bonita, e entro em crise, de que eu poderia estar querendo muito mais para a minha vida. mas as coisas que eu quero envolvem ir para os lugares caminhando tranquilamente, estar perto da minha família, trabalhar tranquilamente e ver as pessoas que amo com frequência. consegui fazer as pazes com essa minha visão de mundo, mas, com frequência, e só hoje mais de uma vez, pensei que talvez eu só não tenha nenhuma ambição e aceite muito pouco da vida. não é bem assim, mas também não é não bem assim.

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estou lendo um livro que eu não estou gostando. mas ao mesmo tempo os textos, que são todos curtos, vão indo de forma bem fluída, e meus pensamentos também. do livro, absorvo muito pouco. das ideias que as coisas que eu não estou prestando tanta atenção, absorvo muito.

eu amo a surpresa da vida, e das coisas que não se sabe muito bem se deveriam ser assim. essa frase pra dizer que a quantidade de gente fazendo propaganda de inteligência artificial para ler para você me irrita; o tanto de coisa que não está no texto, mas está na minha cabeça e o texto que eu talvez nem esteja lendo me faz lembrar e pensar... isso é tão lindo.

estou lendo um livro que não estou gostando e ele me deu vontade de escrever sobre uma coisa. eu também esqueci qual era essa coisa, mas assim são as coisas também.

15/12/2025

fim do ano do sol

ainda faltam duas semanas para terminar, de fato, o ano. mas essa finaleira não tem muito o que acontecer além de uma das coisas principais: festas e comemorações. eu amo esse sentimento de que tudo o que for pra ser não será exatamente agora, que agora é hora de pensar no agora. em presentes, em roupas, em encaixar todos os eventos de fim de ano e de ler todos os livros e assistir todos os filmes. esse espaço de tempo de não tempo é um pouco um espaço de meditação também. esse ano estou de férias em dezembro, mas, mesmo nos últimos anos, em que não estive, já era tempo de não pensar muito no tempo.

foi um ano nove. e um ano do sol (para mim). isso diz muito sobre o ano que foi. foi, sim, um ano de encerramentos, e, junto do sol, de saber quais foram os certos. se o ano pessoal do julgamento é de colher o que foi plantado, eu vou pra ele com a alma leve. eu sei o que fiz esse ano, e não me arrependo de nada. não tem coisa alguma que me pese, que eu olhe e pense que deveria ter feito melhor. fiz o que pude, e fiz bem.

talvez não o melhor, mas bem o suficiente. estava pensando como, por exemplo, meu corpo regrediu um pouco, se formos falar de definição muscular, mas eu voltei com tudo com as caminhadas. eu terminei com minha vida amorosa zerada. mas zerada nos bons motivos também, nada me prende, tudo foi pensado e superado e perdoado, de todos os lados possíveis. minha vida profissional? nesse momento não parece que foi para muitos lugares, mas eu estou no meio do plano de ir para algum lugar. estudei, segui no meu trabalho, mandei muito currículo pra pensar que eu na verdade não queria nenhum desses empregos que mandei currículo... houveram experiências. tentei coisas outras. eu não posso reclamar. agora é, realmente, dar tempo ao tempo para que as coisas apareçam, porque eu estou, cada dia, me preparando e me sentindo preparada para o que vier. talvez, realmente, a moleirinha fechando conforme me aproximo dos vinte e cinco, e porque tenho uma família e amigos que me permitem focar em problemas enquanto nada está realmente errado. não sei. mas termino o ano bem. maiores preocupações? eu deveria procurar uma hospedagem em Assunção, vou ir pra lá em março ver Lorde, antes que acabem as hospedagens boas perto do festival.

escrevendo isso enquanto abro o neopets. se tem um lugar que eu não esperava estar quando essa volta ao sol acabasse era jogando neopets. mas não tem muito como saber o que vai acontecer. é claro que o que vem por aí me assusta. mas, como dito, eu fiz o que pude para que as coisas vão pelo melhor caminho. do que depende de mim, está sendo feito. do que depende do universo? eu só posso pedir que aconteça. às vezes é voltar a jogar neopets. vai saber. talvez era pra ser stardoll, não sei.

mas do que me compete, eu continuarei estudando, continuarei me exercitando, continuarei a ler bons livros e sendo fiel aos meus sentimentos. a ansiedade de que todas as coisas mudem rapidamente, que estou há muito esperando diminuiu, mas segue aqui. aprendi a dar tempo ao tempo, talvez. mas isso não significa que estou feliz nesse tempo passivo.

é muito engraçado o texto que escrevi no dia do meu aniversário. isso é uma coisa que acho ótima de fazer aniversário em janeiro, a data ainda está um pouco no limbo/tempo do fim/começo de ano. e tudo é uma questão de uma idade. nesse texto do meu aniversário eu estava miserável. não conseguia lembrar quão frustrada com tudo eu estava, mas estava. muito. e a mesma verificação de estar fazendo o possível me causava um grande desconforto, hoje não, hoje me conformo que ainda não foi, mas irá. não uma conformidade quieta. é interessante ver como termino o ano bem mais serena. de fato, o sol. iluminou. 

outra coisa engraçada: assisti chico bento nesse dia tão miserável da minha vida, meu aniversário. foi o melhor filme do ano. queria até fazer um melhores do ano, mas não sei, não penso em nenhum livro que mudou minha vida, ou música. só o chico bento. e vamos pra 2026. ano um. ano do julgamento.

eu estou pronta.

04/12/2025

novembro, um mês agitado, de pouca leitura, mas de acontecimentos

fazendo meu filme - paula pimenta

é obvio que um livro para adolescente eu vou achar uma merda. 

esse foi o comentário que eu tinha colocado nesse post, de início. mas nem terminado de ler eu tinha. vamos por partes.

em uma das noites de piores escolhas de local, não porque o lugar é ruim, muito pelo contrário, é um lugar que gostamos muito, por causa do chopinho bem legal por seis reais no happy hour, um ambiente gostosinho aberto para fofoca e oportunidades para seguir a noite em outro lugar perto, mas que, como acontece com frequência na nossa vida, escolhemos ir em um dia de chuva. então, depois de acabado o happy hour e o chope de seis reais, seguimos para a casa de uma amiga. e entre um milhão de conversas, algumas devido uma situação um pouco engraçada, veio o tópico reler fazendo meu filme. e, assim, decidimos que faríamos isso mesmo.

comecei a ler e meu deus como a Fani é chatinha. quando eu assisti o filme, acho que ano passado, eu já tinha lembrado disso, e por isso eu estava achando que estava meio fiel (embora, pelo que eu lembre agora, o filme tem MUITO menos coisas). e isso quase poderia ser um problema, não? mas aí eu tive que puxar aqui que: ela tem 16 anos. nesse momento, minha irmã mais nova tem 14, faz 15 em janeiro, e é chatinha bem assim mesmo. quando eu li esse, eu era mais, nova, uns 12, e era chatinha assim mesmo. então, assim, estranho seria se todo mundo não fosse meio chatinho. são adolescentes!!!

aí, nessa de a gente ler fmf, veio a feira do livro da cidade, que a programação foi divulgada uma semana antes do evento, isso depois da nossa escolha de ler, e uma das autoras foi a Paula Pimenta. muito divertido que em duas semanas da decisão de reler ela estava aqui na cidade, para a gente ir ver a autora. o público, obviamente, entre as pessoas que leram fazendo meu filme simultâneo aos lançamentos, pessoas de cinema falando que entraram no curso por causa do livro (eu poderia ter essa história mas mudei minha segunda opção do sisu umas milhares de vezes) e as novas gerações de leitores, que eram, bem, do tamanho que eu era quando li pela primeira vez (e para essas pessoas, aparentemente, segue fazendo sentido o jeitinho de todo mundo ali, aparentemente adolescente será sempre chatinho).

o que mudou da primeira leitura? eu acho que o Leo. ainda meio sonso, mas, mais uma vez, estamos falando de adolescentes. mas na primeira leitura eu meio que preferia o christian. lembro muito menos do segundo livro que do primeiro, vamos ver quando releremos para ver o que achamos agora como adulta. mas o que quero dizer é que não odiei o Leo dessa vez. algumas coisinhas, com certeza, são totalmente sem noção, mas assim, não lembro como é o desenrolar das coisas nos próximos livros.

mas agora tenho uma foto com a Paula Pimenta, amou Eduarda de onze anos? (é a sexta foto <3)


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o médico e o mosnstro - o estranho caso de dr. Jrkyll e sr. Hyde - robert louis steveson

não tenho muitas notas sobre. eu coloquei na minha lista que queria ler quando saiu the substance, que eu gostei bastante, e todo mundo falou que era uma das inspirações e eu me senti meio burrinha de não ter lido ainda. ainda demorou bastante pra eu ler, porque eu tenho uma lista bem grande de coisas que eu quero ler, mas estava baratinho, é curtinho, e foi uma leitura divertida. meio que já sabia o que aconteceria (um livro velho clássico, mas não leve isso como garantido! o morro dos ventos uivantes foi uma grande surpresa para mim!), e, assim. legal. é isso.
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as intermitências da morte - josé saramago
outro autor que estava HÁ MUITO na minha lista de leitura. terminei agora (três de dezembro, mas a maioria eu li em novembro e, também, ainda não tinha escrito esse texto, que, inclusive, está sendo escrito de uma forma corrida, então achei pertinente colocar junto), e adorei. é aquilo, a gente às vezes se choca que um autor consagrado, que ganhou nobel, e essas coisas todas, é um bom autor? não deveria, não é mesmo? definitivamente estarei lendo mais.

muitos comentários sobre o livro, mas, o principal, é como eu passei o tempo todo dele com medo de morrer. não morri. é isso e acabou completamente a minha energia escrevendo, então vou dixar aqui só o registro que eu li, porque não estou com pensamentos muito formulados; gastei esse mês toda a minha energia pensando em natal e natal e natal, e olhando black friday pra comprar presentes, e comprando coisas, e aí, meio que acabou a energia de outras coisas. esse mês não escrevi, li pouco, não andei para frente com as minhas costuras, em resumo, fiz muito pouco. mas agora eu estou de férias. espero voltar a ser uma pessoa melhor. mesmo que tenha que descer três vezes por dia para pegar compras que estão chegando.

11/11/2025

tudo muda em pouco tempo, mas não mudou nada

fico tão ansiosa quando algo tem que ser feito. tenho uma tarde toda, não é possível que não consiga uma hora de academia, meia de arrumação de casa, uma e meia de estudo, meia de lanche da tarde, meia de banho e tiktok sem roupa na cama. mas aí acabou. e quando tem algo que não é isso que precisa ser feito eu fico tão ansiosa. e calculo cada segundo. mesmo que eu possa tomar banho outra hora ou não comer, ou estudar só uma hora. nada é urgente, nada.

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não achei que ia vender adesivo de verdade. mas estou feliz que estou vendendo adesivo. mas é trabalho. eu odeio trabalhar, mesmo quando não parece trabalho. o problema são os prazos. e as expectaticas alheias.

contagem de vendas: 7 (21/10)

pedi embalagens. tive que pedir, porque o que eu tinha em casa acabou. mas fui meio boba e pedi coisa da shopee internacional. está, nesse momento, em miami. e saiu mais pedido. mas agora preciso que saia mais um, para valer a pena as viagens: ir imprimir, ir levar no ponto de coleta. mas eu terei que ver como faço com as embalagens. elas nunca passaram por miami! mas, também, fazem meses que eu não compro nada internacional. não sei mais a rota. não é igual saber que estar em campina grande do sul é amanhã estar na minha casa.

contagem de venda: 26 (11/11)

seguimos vendendo adesivo. preciso pagar o show da lorde, né?

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no hope - the vaccines

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atualização de esmaltes: terminei o sou topping.

rosa glitter - estou usando enquanto digito isso agora. tem que passar umas três camadas, então mais uma esmaltação ou duas e acaba. não acho que vá ser esse ano, mas no começo do ano que vem com certeza.

amor profundo, impala - nenhum progresso, não fiquei com vontade de usar ele.

verde - nada, não tive vontade de usar ele, principalmente porque é difícil de tirar.

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me propus a escrever todo dia um pouquinho alguma coisa, para treinar a escrita. mas descobri que não tenho nada a dizer. que coisa. achei que tinha, achei que era possível. mas não. hora de começar a fazer questões discursivas mesmo, que é, no fim das contas, o objetivo.

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e aí eu passei o maior período da minha vida recente sem escrever nada. não tenho muito o que escrever, acho. tudo se esgotou. revisitando o que achei que tinha a ser dito aqui, tudo é tão longe do meu pensamento. o mês voou, coisas aconteceram. e aí? e aí nada.

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vi no twitter uma disucssão sobre a o balm de latinha da granado. há um ano eu me converti a usuária desse produto, que gosto muito de tudo. a reclamação era, exatamante, a latinha. que, para mim, foi um dos motivos da compra. eu amo a latinha. "porque é ruim de abrir" "colocar o dedo dentro? no meio da rua???". existem milhares de balms com outras embalagens. precisamos MESMO que mais esse seja com outro formato?  não, não precisamos. eu amo a latinha do balm. eu amo aplicar com os dedos. e quando eu não quero colocar o dedo, então, adivinhem? eu uso outro produto, com outro aplicador. nem tudo no mundo tem que ser pra todo mundo. eu odeio pessoas. eu amo o balm da granado.

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[19:19, 28/10/2025] eduarda: me danfo uma chance a mais de frsehar slgo

[19:19, 28/10/2025] eduarda: gastando anotando quão grande minha sorte

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são sempre muitas vírgulas, um texto que não fluí. tudo quebradinho, tudo um respiro. eu não sei se leria isso, não sei se é agradável, se é bom. mas é o que eu escrevo, então o que eu poderia fazer? não tenho como mudar a estrutura do meu pensamento. ou são vírgulas demais, ou não tem vírgula nenhuma.

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tomei uma atitude. um passo grande. troquei meu login de duda para eduarda.

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alguns rumos na vida. algo tem acontecido. o que veio menos de um mês atrás não faz muito sentido. mas tudo está exatamente igual. o que mudou se nada mudou? a percepção?

30/10/2025

novas chances aos livros abandonados: leituras de outubro/25

acabei de terminar de ler o morro dos ventos uivantes. isso que me motivou abrir esse documento para escrever. eu escreveria de qualquer jeito, sim, mas durante a leitura nenhuma anotação foi formulada, então, assim que terminei de ler vim escrever. minha história com esse livro começa uns dez anos atrás, quando peguei ele na biblioteca da escola naquela edição com a capa meio crepúsculo, mas eu não passei da página quinze, mais ou menos. achei chatíssimo e ele se tornou o primeiro livro da minha vida a ser abandonado.

com toda a questão do filme, eu, que sou uma pessoa que gosta de estar atualizada quanto aos assuntos do twitter, fui ler novamente. comprei ele, para não ter desculpas. demorei pouco mais de uma semana, e, enfim completei a leitura. e vou dizer: eu não fazia ideia de como era a história. mas me surpreendi positivamente de como ela é.

ainda acho o livro chato. não vou negar, não foi um livro que me deixou ansiosa para terminar logo, já que todas as pessoas dele são odiáveis. todo mundo é extremamente sonso e mimado. e vingativo. mas longe de esse ser o grande problema do livro, as pessoas chatas, eu não sou uma pessoa que procura virtudes nos personagens; é que é só? ok, o parceiro heathcliff tinha motivos para odiar todo mundo e querer vingança, e, em algum ponto, admite que gostava de fazer mal pelo simples fato de fazer mal mesmo, e aqui temos um ponto que é excelente. eu não me admiraria se eu também quisesse que elas morressem ou fossem desgraçadas caso eu vivesse com elas. é claro que, visto atualmente, toda a conduta do livro é criminosa ou no mínimo de mau gosto, e eu não posso dizer sobre os sentimentos dos leitores contemporâneos ao seu lançamento. e mais uma vez, isso não é nem de longe o problema do livro. violência descrita de um jeito meio fofoqueiro, enquanto as pessoas morrem e tem doença e morrem e tem doenças. não sei se ele é longo mesmo, eu não lembrava de ser, mas como comprei a edição de bolso, ele é um pouco grosso, e ele não é longo, tem edições dele com menos de 150 páginas (o meu quase 500. aí eu já não sei), mas ele foi longo demais. muito acontece mas não de um jeito interessante. é o tempo todo alguém doente, morrendo ou só sendo miserável.

o pior: eu adoro a ideia do livro. se fosse só por isso, essa coisa pessoas péssimas que, aparentemente, a única coisa que amam são a si mesmos e um ao outro. esssa coisa meio sombria, me agrada. o ódio geracional. uma mistureba de árvore genealógica. mas o desenvolver do livro não. e é isso, gosto mais da ideia do livro do que do livro em si.

no fim, fico feliz que dei uma chance de verdade para ele. agora, na lista de livros já abandonados, só temos um de auto ajuda. o que, para mim, não poderia me importar menos. 

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gostaria de fazer um comentário sobre um tiktok que vi esses dias sobre edições de clássicos. e a pessoa estava indicando quais as melhores editoras para comprar clássicos, tradutores, etc. ele falou que, para ele, o melhor eram as edições que vinham com textos de apoio, contextos do livro, notas explicativas, etc. eu não poderiam discordar mais. eu adoro ler um livro clássico como qualquer outro, sem se importar com o tempo que foi lançado. quero, eu mesma, descobrir os méritos dele. geralmente a gente não cai de paraquedas em um livro. então esses textos de apoio ou notas de rodapé explicativas eu apenas ignoro. nem nos livros atuais eu entendo todas as referências, porque preciso entender de livros mais velhos?

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depois, li olhos d'água, de conceição evaristo.
era um livro que estava sempre na ideia de "tenho que ler esse", mas eu nunca lia. minha irmã está fazendo no trabalho um clube do livro que as escolhas parecem bastante com "tenho que ler esse, mas nunca leio", então ela trouxe para casa e eu aproveitei para ler. eu não gostei. achei que nenhum conto é surpreendente. ele tem temas pesados, e não é um livro fácil de ser lido, não é divertido para sentar e ler ele inteiro de uma vez, mas não é esse o problema. eu não tenho problema com leituras densas e com temas pesados. esse ano eu já li becos da memória, que também traz alguns desses temas e desse eu gostei. o resumo de olhos d'água é que as pessoas vão morrer no final de todas as histórias. talvez naõ estivesse também no clima para esse.

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depois fiquei morrendo de preguiça de ler. ou não  tinha mais nenhum livro em mãos que eu estava morrendo de vontade de ler. esse mês eu tive bem pouco força de vontade de ler. e todas as leituras foram arrastadas. e todos livros muito bons. o que me faz chegar a conclusão que o problema era eu.

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aí eu li caixa 19, de claire louise-bennet. as primeiras palavras desse livro me trouxeram um sorriso ao rosto. é exatamente isso que eu queria. um montão de lugares comuns de quem gosta de ler. sim, todo mundo gosta de virar a página logo. sim, é gostoso demais meditar a existência do livro antes de ler, de fato; ler ele na cabeça antes de ler, imaginar, sentir tudo o que ele pode oferecer.

e aí ele ficou chato, extremamente chato. me arrastei por umas trinta páginas sem a menor vontade de ler.

e aí ele me entregou um afago de novo, com uma ela lista tudo o que leu e não leu. e eu amo de novo. essa sensação de que há muito, muito para se ler. que a gente nunca leu tudo o que importa no mundo, e nunca vai. não lemos aind nem tudo o que vai fazer parte de algo muito importante da gente, ainda não chegamos ali. eles estão ali, e a gente ainda não chegou ali. fico pensando como, com o passar dos anos, se torna mais difícil ter as referências importantes, todas. você sabe um pouco, por cima, de muitas coisas, e cada vez vão ter mais coisas para se saber um pouco, por cima. vai ser difícil. há muito a ser visto, e só o tempo de consumir todas as coisas que importam: já não temos muito, e aí precisamos escolher nossas referências, e quais a gente vai entrar mais a fundo, mas há muito, e nunca haverá tempo o suficiente. eu penso, com frequência, que deveria focar mais nessas coisas. mas as cosias que não são essas também ajudam a gente entender essas coisas, me sinto mal de não ter todas as referências certas. e, ainda, além de ter as referências, precisamos do tempo de usar elas para alguma coisa. criar algo. conversa de bar. não sei.

mas eu fiquei com vontade de ler todos os livros do mundo lendo esse livro. é um fato.

adoro quando ela fala que lia muito homens e do nada todos os livros eram de mulheres, sem um esforço. acho que isso é uma verdade, essa aproximação antural, eu não acho que algum homem tenha muito o que me falar.

Chegou uma hora não sei exatamente quando em que senti que já tinha lido minha cota de livros escritos por homens, pelo menos até então. Aconteceu de forma muito natural: não me lembro de decidir que tinha cansado e ia passar um tempo sem ler livros escritos por homens, só aconteceu que comecei a ler mais e mais livros escritos por mulheres e não me sobrava muito mais tempo pra ler livros escritos por homens. Ler livros escritos por mulheres ocupava todo o meu tempo e quando vi tinha se passado um ano e eu só tinha lido livros escritos por mulheres e outro ano passou e continuou igual, aí, muito de vez em quando, quase nunca, podia aparecer algo escrito por um homem, Jakob von Guten, do Robert Walser, por exemplo, mas eu continava lendo principalmente livros escritos por mulheres, e isso não mudou mais.

na época que estávamos quebrando todos os tabus tinham muitos clubes do livro, movimento em redes sociais e etc que falavam exatamente isso, e sempre apontavam de forma acusatória: quantos livros lidos por mulheres você leu esse ano? e aí eu fui contar, e meio que era metade/metade, a vida toda. ok que sempre fui uma grande leitora de romancinhos, livros que normalmente são mais femininos, mas mesmo esses, quando penso na adolescencia, muitos eram, sei lá, do john green. mas foi diminuindo. até os "livros importantes" pararam tanto de ser livros de homens, mesmo que a maioria dos clássicos de referência de tudo sejam escritos por homens. esse ano, dos 28 lidos até agora apenas sete ou oito foram escritos por homens. acho que é um movimento muito natural quando você se entende como pessoa, porque a experiência de vida é outra e é a coisa mais natural você buscar relações que façam mais sentido. mas é engraçado como isso é uma experiência quase universal da leitura. a gente cresce das "obrigações" para o que nos aproxima de nós mesmos.

mas o livro alterar entre fluxos muito bons e outros muitro ruins. demorei muito para ler, porque chegava numas partes muito arrastadas que, para mim, não iam. eu não sei gostei ou não dele, ser bem sincera.

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e é isso.

17/10/2025

não tenho medo de tentar mas tenho de os outros verem eu tentando

eu tenho medo de ser vista tentando e é da minha personalidade achar que tudo tem que parecer natural ou sorte, mesmo que não tenha sido natural ou sorte, e sim um esforço contínuo para algo acontecer. isso tem um pouco a ver com meu esforço nunca parece um esforço igual ao dos outros, sempre parece menos. e aí eu nunca sei se é porque ele, de fato, é menor que o dos outros ou se eu só não fico incomodando os outros falando vejam só como eu estou tentando! acho, até, meio vergonhoso. olha como eu estudo e vou na academia e como bem e faço coisas diferentese tenho metas e objetivos de vida! (e a pessoa não chegando no resultado esperado de nenhuma dessas coisas). não quero que olhem e pensem que eu sou uma fracassada, que tentou e tentou e tentou e não conseguiu.

mas essa de meu esforço sempre parecer menor que o dos outros: é porque, realmente, não é uma dor fazer isso. isso de tudo como ir na academia, estudar, começar uma coisa nova. realemnte, não é terrível fazer isso continuamente. às vezes, claro, tenho preguiça, falta de disposição e preciso me regrar para gastar uma horinha nisso aqui, otura horinha naquilo ali. mas, como obviamente não cheguei onde eu queria chegar, o esforço não pode ser medido, não é possível falar que deu certo. então eu sempre acho que, apesar de estar fazendo algo, parece que não estou fazendo o suficiente. as coisas estão ficando mais fáceis porque estão mais fáceis ou estão ficando mais fáceis proque eu estou progredindo?

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outra vista de tentativa - esses tempos tinha feito os adesivinhos de tarô pra meu livro. minha irmã falou: coloca pra vender na shopee. falei, pois é. coloquei. já vendi três. é uma coisa que nãogasto dinheiro, e quando vem o pedido, eu faço. simples. a gráfica é relativamente perto de casa, o correio também.

hoje, inclusive, aconteceu o pior cenário. a venda foi ontem, eu preciso ir imprimir, porque, obviamente, não tenho estoque, já que foram só três vendas em um mês e eu nem sei se vai vender mais. quinta - sexta. o correio não abre sábado. eu queria ter ido ontem imprimir, para enviar hoje. MAS está com o tempo SUPER instável, dando pancadas fortes de chuva e vento de forma bem imprevisível. é papel. o gasto de uber não está na precificação. terei que ver como isso vai acontecer.

eu amo fazer papel bonito. estou pensando em marca páginas agora. magnéticos. eu amo marca página magnético. mas teria que comprar uma quantidade absurda de ímãs. é triste e esse tipo de coisa também desanima.

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não sei, com frequência eu acho que deveria tentar mais, mas não sei como. talvez seja hora de tentativas desconfortáveis.

perdi o ritmo desse tópico porque estou no trabalho, ouvindo a chuva, sabendo que não vai dar pra ir imprimir e veio, enfim, o novo sistema da prefeitura. estávamos duas semanas sem o sistema, então meio que muitas coisas não estavam podendo ser feitas, porque não tava dando para consultar nada online na prefeitura.

enfim.