30/08/2025

opiniões sobre as leituras de agosto

no final de julho aconteceu aquele evento na minha vida que acontece a cada pouco: lembrar que sei ler e que na verdade eu adoro ler. e aí fui lendo um livro atrás do outro (e uns livros até grandes…), e assim, terminei pachinko e já emendei atmosfera, da taylor jenkins reid. e vamos começar falando dele.


assim que comecei a ler este eu lembrei tudo o que eu odiava na escrita dessa autora. eu já gostei dos livros dela uns anos atrás e li todos: odiei metade, gostei muito de dois, e por aí vai. mas nunca foi muito constante na minha opinião, porque os livros têm uma escrita que flui bem (mas eu, enfim, cheguei na conclusão óbvia que um livro fluir bem não quer dizer que ele seja bom), porém sempre tinha alguma coisa que me incomodava. o tiktok me convenceu a ler algo dela mais uma vez, já que todo mundo estava amando e falando que esse era o melhor livro da escritora até agora, e sabendo que são livros fáceis, e eu querendo ler uma coisinha mais tranquila, fiz essa escolha. e é, de fato, fácil de ler, o que pude comprovar porque tive o maior tempo de leitura no trabalho, que é uma leitura que é interrompida com frequência, então precisa ser fácil, e foi. mas não me importo muito com nada que aconteceu ali. e além de eu não me importar com nada, o livro tem um moralismo, que é o comum dessa autora... e assim, quebrou tabus. teria sido ótimo em 2016, talvez. em conclusão, não acho que eu vá ler os próximos livros dela.


aí, seguimos com as sugestões do tiktok, e aqui eu aproveito para dizer que tem mais dessas, já que adoro um conteúdo de livros e teve muita gente fazendo listas de meio de ano falando o que mais gostou de ler até agora, então acabei pegando alguns títulos para ler, já que coloquei na cabeça que iria parar de tirar print dos livros e deixar lá esquecidos, em vez disso, já ir colocando eles no kindle, que uma hora seria a hora deles. e, de fato, dessa forma tenho lido eles. então eu li boulder, da eva baltasar. vi umas duas pessoas falando que leram e amaram, um livro poético e tal. mas mais uma vez, eu não poderia me importar menos com ela ou com o que acontece com ela. uma coisa de deixar a vida ir levando, nunca ser muito responsável pelas suas coisas, que não me convenceu. a escrita poética? para mim foi um não. mais um livro rápido de ler, e esse é bem curtinho, então dá para ler em um dia numa boa, mas ainda assim conseguiu me entediar. se fosse um conto de trinta páginas talvez eu tivesse gostado.


o último desses do tiktok: como arruinar um casamento, alison espach. esse já valeu muito a pena, que livro interessante. a leitura é super rápida e gostosa, mas cheia de bons pensamentos. é basicamente a história de uma mulher que vai para um hotel se matar após sentir que ela meio que fracassou em tudo o que ela se propôs a fazer na vida, mas chegando lá, está tendo um super casamento, uma festa de vários dias. e nesse tempo ela desiste de se matar, e começa a fazer parte do casamento, se aproximando muito da noiva, que é uma pessoa jovem e meio perdida nos seus interesses de vida também. como ela não tem nada a perder, e nada a esconder e nada com nada no casamento, ela pensa sobre absolutamente tudo o que fez – e na maioria, o que não fez – na vida por causa do tipo de pessoa que ela queria, ou achava que deveria, ser. por essa distância com a vida dela, ela consegue ir ouvindo um pouco o que todo mundo tem a dizer sobre o casamento, e ir entendo o lado de todo mundo de tudo o que está errado naquela situação, que de fora, parece tão linda e ideal. até porque não é surpresa que o casamento não acontece. pelo título, né. (eu gosto muito mais do título original, que seria algo como as pessoas do casamento, que não deixa tanta certeza que o casamento não vai acontecer; é claro que poderia o título falar do casamento dela, mas essa é a última interpretação a se ter, vamos ser sinceros. o título brasileiro coloca o livro em outro lugar, como o casamento em primeiro foco, o título original fala do que ele fala: das pessoas do casamento. enfim, preferiria mil vezes uma tradução mais literal)


o tópico de como é fácil cair na nossa rotina, nas ilusões do que vai ser e do que já foi, e ir levando essa vida cada vez mais longe até um momento que ela não faz sentido nenhum para você, e para as demais pessoas do arredor. tenho muito pensando qual o limite do tédio saudável. se, no momento, eu vivo num momento de tédio saudável, movida pela esperança de um futuro melhor saudável, ou se já estou na situação de acomodação. de estar fazendo coisas que não acredito mais (tipo a tese dela ou o próprio casamento) só porque parece que eu tenho que fazer elas, e porque eu já coloquei muito tempo ou esforço naquilo. até onde a gente leva escolhas que estamos em dúvida só porque ou é tarde ou parece certo? e quando é o tarde? e quando as coisas são assim porque elas são de menos, por tentar menos, por se permitir menos por esperar menos? 


no livro, a criação dessa pequena bolha onde os problemas são meio fúteis, como carros vintages, mas também completamente aceitáveis e reais no mundo do casamento, cria esse outro ambiente onde ela pode não se importar com nada, e ter outra perspectiva de si mesma, porque o foco todo são os outros, e ela de nada tem a ver com isso. dentro do nosso cotidiano, da convivência sempre com as mesmas pessoas, inclusive algumas que subjugam tudo o que é feito, estando a pessoa, dentro dessa realidade, num momento ou lugar inferior a esses parâmetros, nos esquecemos do que queremos, do que podemos ser, adentrando uma realidade outra, que, então, se torna a nossa. não é permitido ser muito além do que se é, querer muito além do que já se tem, porque isso gera questionamentos das outras pessoas, que podem ser desconfortáveis (aqui já trago uma coisa da jane eyre, que uma hora ela vai fazer uma coisinha e fala que foi fácil fazer porque ninguém perguntou sobre. e meio que é isso, sabe). apesar de eu mesma ser uma grande fã de rotinas, eu também odeio. eu preciso do equilíbrio. ou aquilo já falado: o tédio se torna tão confortável que já não te leva a nada, não de um jeito agradável, mas sim, paralisante.


uma última consideração quanto a esse livro é que eu percebi que tem muitos livros que já li e não lembro. ela faz várias menções a mrs dalloway, e, vou falar, eu sei que li porque tenho ele na minha estante. mas eu não lembrava do que era. ontem fui pegá-lo para dar uma olhadinha e tentar lembrar. talvez eu devesse reler. mais engraçado ainda é que esses dias eu me surpreendi porque abri na amazon um livro e estava lá que ele já havia sido comprado. eu não lembrava nem de ter lido ele inteiro, imagina físico, na minha casa, na minha estante! mas ele estava ali, e, mais um vez, fui dar uma folheadinha para lembrar. quanta coisa eu já não li desatenta nessa vida. e que privilégio ter o livro físico para relembrar.


pego o gancho dos livros do livro para falar que a próxima leitura foi exatamente porque fala muito nesse livro, jane eyre. eu fiz uma anotação sobre ele:


que livro chato


mas não é bem assim. mas também é um livro longo, então ele tem tempo de ser chato e bom, de formas alternadas, em momentos diferentes. e ele é bom. em alguns momentos eu não conseguia parar de ler. mas ele também é chato, então em outros momentos eu não conseguia ler muito. mas foi uma leitura que, no fim, me agradou bastante. eu odeio todos os homens desse livro, acho ela uma coitada no final voltando para o ex, que foi a primeira pessoa que ela pensou na vida… ela que queria ver tanto da vida, sentia tanto tédio de uma existência plana e linear, indo parar num cuzinho de mundo com três pessoas ao redor. merecia mais. conheceu dois homens na vida, meu amor? aquele primo um insuportável tentando colocar na cabeça dela que ela querer viver uma vida normal era o caminho para o inferno? queria socar ele toda vez que ele aparecia. mas é isso, não que eu precise falar que é um livro bom, mas é. às vezes meio maçante, mas… é bom.


por último nesse mês eu li ou-ou, de elif batuman. eu amo como toda experiência dela é a mesma vivida por mim como uma pessoa quando entrei na faculdade. pelo menos até metade desse segundo livro. é lindo como muitas pessoas são na verdade uma só, vivemos sempre as mesmas coisas, com pequenas mudanças no desenrolar das coisas. eu também faria a matéria de literatura sobre acaso, e levaria como um sinal. eu também me apaixonaria pela ideia de um livro falando sobre a vida estética. definitivamente eu vivo uma vida estética. mesmo quando a vida dela dá um rápida mudada eu entendo o porquê: ela quer viver coisas, experiências. mas eu vou ser sincera, eu acho que a parte em que ela viaja é um pouco... desconfortável? como ela caí tantas vezes em situações de assédio simplesmente? talvez tenha sido um pouco gratuito da parte da autora colocar tantas situações como aquelas e como ela simplesmente cede, estando numa situação completamente fora do controle e do conhecido. tudo pela história? é tudo narrado com um jeito meio desinteressando que é isso que passa, não muito que na situação ela estivesse aterrorizada ou algo assim, embora eu tenha ficado ansiosa.

preciso dizer que tenho muitas coisas a serem ditas sobre esse livro, mas eu admito que enquanto termino de escrever eu estou com um pouco de preguiça eu tenho algumas anotações, mas não sei exatamente como e se vou desenvolver elas muito bem. também já deixo dito que essa parte sobre esse livro não estará passando por nenhuma revisão: se nenhum erro ou ideia desconexa for identificada numa rápida passada de olhos, então ela ficará por aqui mesmo.

em algum momento ela começa a refletir sobre como ela não é uma escritora. fiz isso já, inclusive escrevi alguma coisa sobre isso por aqui também, ela percebe que só ter uma história, uma ideia boa, ou anotações não é criar um romance.

Foi só no ensino médio, quando tive as primeiras aulas de escrita criativa, que comecei a ter uma ideia do problema. Percebi, chocada, que eu não era boa em escrita criativa. Eu era boa em gramática e argumentação, lembrava do que as pessoas diziam e sabia fazer graça em situações estressantes. Mas não eram essas as habilidades de que você precisava para criar pessoas curiosas e delinear arcos de desejo. Já me dava muito muito trabalho escrever sobre gente que eu de fato conhecia e tudo que elas diziam. Era para isso, aliás, que eu precisava da escrita. Agora eu tinha de inventar pessoas extras e pensar em coisas que elas poderiam dizer?

Descobri então que escrever sobre o que você já vinha pensando não era criativo, nem sequer era escrita. Era "olhar para o próprio umbigo".

(trecho do livro. não sei a página, li pelo kindle) 


eu pensei muito sobre o que eu faço desde sempre, e ela chega mais ou menos na mesma conclusão que cheguei esses tempos. e é exatamente isso. embora ela coloque um pouco da questão do valor dessa escrita de si, sem objetivo de, de fato, ser algo, ela na verdade é muito valiosa. eu acho, pelo menos.

uma coisa que gosto nos livros dessa autora é essa coisa de que sempre terá uma referência a ser procurada, um livro a ser lembrado, uma ideia que pode ser que você não conheça e seja interessante conhecer. as questões teóricas de estética apresentadas, eu gostei de conhecer. eu tive aula de filosofia estética, que o enfoque era pra ser em arquitetura, já que eu curse arquitetura e urbanismo. mas essa matéria foi pouquíssimo aproveitada por mim pois foi 1. na pandemia 2. num dia que tinha matéria de ateliê de grande carga horária e 3. com uma professora que não era das pessoas mais queridas do mundo, que eu tinha três matérias e eu não aguentava mais ouvir a voz dela. não me orgulho de dizer que a maioria das aulas ou foram assistidas no mudo ou com uma tacinha de vinho em mãos para ver se eu conseguia chegar até o fim com alguma sanidade mental. talvez eu devesse, hoje, por conta, estudar essa questão mais profundamente (se alguém tiver alguma recomendação de curso ou livros...). 

e nessa de ela sempre referenciar muitas coisas, aconteceu, mais uma vez, um caso de livro lido mas que eu não lembro de nada. um artista do mundo flutuante. a diferença entre esse e os já citados é que esse eu não tenho físico, então realmente não faço ideia do que se passa nele e não consegui dar uma olhadinha rápida pra ver se descobria, vou ter que procurar alguma resenha ou coisas assim. e talvez seja o caso de olhar a lista de todos os livros lidos e tentar ver o que eu NÃO LEMBRO. não é caso de não gostei e por isso não me apeguei aos detalhes, ou li e não lembro nome de personagens, ou algumas coisas que aconteceram. é caso de eu não lembro que li o livro. nesse caso, fui olhar no skoob e descobri que ele foi lido fevereiro de 2019: infelizmente o coitado foi entre livros da série napolitana da elena ferrante. é. difícil competir pela atenção desses.

no final do livro, após a primeira etapa da viagem dela, indo para a segunda parte, ela tem esse vislumbre de que é isso. de como as coisas devem ser para fazer sentido.

Então era isso que era um romance? Um plano em que se podia finalmente justapor todas essas pessoas diferentes, lhes servir de mediadora e pesar seus pontos de vista?

eu ultimamente tenho tentado também que as coisas puxem outras, sem deixar de serem o que elas são. no plano da escrita, digo. às vezes a gente se perde no pensamento, na reflexão, na ideia que é puxada de algum lugar e parece coesa com a situação, e depois é necessário voltar para aquele outro lugar. isso é treino e observação. eu faço mal. espero que ela faça melhor.

e por último: ivan. selin vai deixando a ideia de ivan se diluir na vivência dela; conforme ela vai tendo outras experiências românticas e sexuais (como se tivesse tido algo com o ivan, mas não) e juntando algumas reflexões que ela tem ela percebe como a situação foi só uma coisa esquisita, mas normal, dentro das relações pessoais. ela percebe que ela não é esquisita e imune às interações tradicionais das pessoas, tanto de gênero como desejo sexual. e é isso. 

eu queria ter lido esse livro quando eu tinha dezessete anos e passando por isso tudo.

24/08/2025

esse blog e eu porque agora é uma nova página

eu tenho esse blog como um blog secundário desde que excluí meu blog secundário anterior. e aí o blog principal, que era o vírgula assassina, parou de existir e esse virou meu blog principal. estou nesse mundinho dos blogs desde 2009, mal sabia escrever, mas minha trajetória foi toda mudada pela revistinha super+, a filha criança da revista família cristã. é.

me afastei da escrita por muito tempo, e escrevia coisas esparças, desestruturadas, só anotando pensamentos perdidos. nunca mais tive a intenção de ser lida. mas percebi que, mesmo não sendo para alguém ler, colocar no mundo, e não em espaços reservados só para mim, é muito importante para me importar com a estrutura, o desenvolvimento do pensamento, ou se ele realmente se desenvolve ou morre em uma só palavra ou frase. ou se poderia ser um tuíte.

eu tentei várias plataformas de escrita que foram surgindo ou popularizando como o medium, substack, etc etc etc, mas nenhuma era a minha casa mesmo. essa é a plataforma que eu conheço e gosto. então, voltamos para cá. e ao voltar a escrever aqui, tenho, aos poucos, voltado a estruturar esse blog como um espaço de blog mesmo. então aqui surge essa nova página, não que vá ter muitas informações. mas é um ponto de início.

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bom, quanto a mim, eu sou a duda, tenho 24 anos, moro no oeste do paraná. sou arquiteta e urbanista e, no momento, estou em busca de algum rumo profissional e estabilidade na vida adulta. se precisarem de uma arquiteta  podem me chamar!

eu gosto de ler, e além dos posts que faço quando me dá vontade sobre os livros lidos, eu também tenho um skoob. apesar de odiar esse site e o aplicativo ser horrível, nunca fiz a mudança para o mais universal good reads. acontece, a coisa do apego.

gosto de ver filmes, então, obviamente, tenho um letterboxd.

e é isso.

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e isso agora está numa página mas deixo como post também. ❤️

10/08/2025

bloco de notas

na minha cabeça eu tenho muito potencial mas tenho medo de começar e ver que na verdade eu sou um verdadeiro fracasso. também é verdade que talvez eu esteja começando a sair da faixa etária do ter tanto potencial e de fato fazer as coisas.

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uma marca do tempo: em algum momento esse dia poderia ter sido algo. feliz acaso: nos vimos na rua. e foi tudo.

uns meses atrás eu poderia ter pensando que nesse dia algo aconteceria. fazia sentido, seria uma história tão boa! mas que indicativo que o tempo passa, e passa rápido, e o que foi feito raramente é desfeito. no mais infeliz acaso, já que nenhum dos dois deveriam estar naquele lugar. moramos longe. eu mesma só fui parar ali por alguns enganos, nos cruzamos na rua, sem de fato perceber a presença do outro.

e foi só isso.

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wishlist do momento
álbum de figurinhas da hello kitty
álbum de figurinhas na trilha da arte
livro a bíblia do tarô
câmera digital nova - a minha aparentemente faleceu

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eu sou boa com silêncios, mas nunca sei qual o espaço que devo deixar. qual o espaço do respeito e qual o espaço da desistência. devo perguntar se aquilo é a necessidade de um espaço?

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adicionei essas datas no meu calendário. esperando elas chegarem para eu me decepcionar ou não.

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acabei de pensar mais uma pergunta, ela voou da minha cabeça em um segundo. te pergunto outra hora. espero que tenha outra hora. elas têm acabado bem rápido nessa questão.

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R$77 - mercado

30/07/2025

tudo o que eu li desde fevereiro

falei que ia escrever sobre tudo o que eu estava lendo, mas parei em fevereiro, tendo, no máximo, escrito alguma coisa sobre um livro. porém aqui estamos novamente, com comentários, que são breves e que são mais sobre a minha experiência lendo do que sobre os livros em si.

Bambino a Roma, Chico Buarque (março)
eu não tenho muitos comentários fora o que eu e a Ana fizemos: meio que o Chico Buarque escreve bem, né? livro muito bom, leitura rápida. mas já faz tanto tempo que nem lembro mais.

A Idiota, Elif Batuman (março)
o tiktok me convenceu. li enfim. escrevi algo sobre ele aqui.

Great Big Beautiful Life, Emily Henry (maio)
me dói um pouco dizer que eu não poderia me importar menos com as personagens desse livro. ninguém. o romance e a história que estão tentando descobrir não são, nenhum, bons o suficiente. eu sou apaixonada por Emily Henry, Lugar Feliz é um dos melhores livros que já li, e ler um livro tão.... abaixo do nível. a escrita dela é ótima, eu amo, mas eu realmente não consegui achar nada de nada interessante de verdade.

Metrópole, Ben Wilson (maio/junho)
fazia um tempão que estava querendo ler esse livro e eu gostei. gostei muito da forma que ele é escrito, pegando uma cidade de um tempo, seguindo como uma linha do tempo,  falando das características marcantes dela, mas relacionando com outras cidades da mesma época ou não. tenta trazer lados bons e ruins de cada cidade e cada situação que traz ali, embora nem sempre dê. alguns capítulos são mais legais que outros. mas achei interessante.

Memórias Póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis (junho)
lembro que não estava muito no clima de leitura. foi meio atravancada por isso, e como os capítulos são minúsculos eu achava que podia me dar uma pausa assim que eu terminasse um. mas é um livro bom, acho que não preciso dizer isso. as pessoas sabem.

Impostora, R. F. Kuang (junho)
ele faz você querer chegar ao final dele, mas não é nada demais. acho que ele é muito repetitivo em seus argumentos, fica muito ali, podia ir mais pra frente. não foi ruim. foi uma leitura legalzinha. mas não foi aquela coisa toda.

O Fantasma de Canterville, Oscar Wilde (julho)
leitura curtinha gostosinha que fiz de tarde. divertidinho. nada demais, nada de menos.

Querida Tia, Valérie Perrin (julho)
eu gosto dos livros dessa autora mas tem sempre alguma coisa que não gosto. é muito engraçado. eu sei que eu vou ficar curiosa, ela constrói a história muito bem, sempre. mas chega uma hora e você fica ah, não precisava disso. dessa vez, definitivamente não precisava disso. não faz nem sentido. o final é ruim. mas o livro é bom. vale a jornada.

Casas Estranhas, Uketsu (julho)
não é horrível. mas não é bom. é interessante a proposta. a solução final não é interessante. o que eu eu mais gostei foi da forma dos diagramas que eles apresentam as soluções. mas como arquiteta eu fiquei pensando: poxa não tem uma aprovação de projetos que diga que não tá bem adequado o que tá feito ali? uma hora eles olham pra planta com duas camas e na outra com cama de casal: quem garante que a humanização duma planta de imobiliária é exata com a realidade? foi bem legal de ler ele, uma leitura bem rapidinha que peguei em uma noite que não sabia muito o que eu queria fazer da vida. mas não é bom.

Pachinko, Min Jin Lee (julho)
puta que pariu que livro bom vai se fuder. eu amei. eu achei que ia demorar para ler mas eu não conseguia largar.

é isso. comecei a ler atmosfera mas os 3% que li não me pegou ainda, quem sabe mais para frente. mas eu tenho uma impressão que se, hoje, eu fosse reler todos os livros da taylor jenkins reid eu ia odiar, qualquer um, os que eu já odiei e os que eu gostei muito. enfim.

28/07/2025

Como mais ou menos a maioria das pessoas que gostam de ler e tinham um blog anos atrás, em algum momento eu achei que seria escritora. Só porque eu tinha alguns leitores no blog, escrevia mais ou menos alguma coisinha que às vezes eu me orgulhava e um dia minha mãe elogiou um rascunho de um texto que ela achou no computador dela, eu seria escritora.

Poderia escrever poesias. Eu era bom nas poesias, eu achava. Poderia escrever contos. Um romance mesmo não tinha muita confiança, mas até tentei algumas vezes – obviamente que não chegando à lugar nenhum, nem nas fics que eu escrevia nos meus próprios blogs. Os fins eram ruins, eu nunca conseguia pensar em um final de verdade. Pessoas serem mortas ou morrerem? Muito básico. Nada acontecer? Eu amo livros que nada acontece, mas será que eu saberia fazer um livro que nada acontece? Em alguns momentos, achei que sim. Que uma coisa de fluxo de consciência, eu definitivamente conseguiria! Mas que fluxo? De que consciência? Eu era adolescente! E mesmo agora, dez anos depois, o que eu sei de relevante? Eu fico irritada quando alguém que claramente não tem nada a dizer tenta dizer algo.

De tempos em tempos eu falo: sim voltarei a escrever, de uma forma correta, sistematizada, tentando, de fato, dizer alguma coisa. Não três rabiscos num caderninho com um lápis de ponta tão grossa, já que nunca lembro de comprar um apontador e talvez seja hora de admitir que não, eu não prefiro apontar meus lapises com estilete, e a letra tão feia já que eu mesma tenho vergonha de algumas coisas que eu tenha a escrever. Também não sei escrever em cadernos. Eu queria. Notas de leituras, estudos, etc. A bem verdade é que não sei, nunca nada é relevante o suficiente ou eu acho que vou lembrar depois. O bom é que esqueço de ter esquecido, então fica tudo certo também.

Esse é um problema meu, e que eu sempre soube que era: vergonha. Não sei se é exatamente vergonha, mas é algo muito próximo. Insegurança, talvez? Eu acho que sim, insegurança. Nunca quero afirmar muito nada, porque pode ser muito pessoal, ou não quero afirmar muito nada porque claramente eu não sei do que estou falando, é uma coisa completamente do mundo das minhas ideias. E se alguém algum dia ler? E se eu morrer atropelada com meu caderninho na mochila e em busca de algum contato descobrirem meu medo de nunca ser amada de forma correspondente ou sobre meus problemas com meu corpo?

Odeio que as pessoas leiam o que eu escrevi, porque também tenho receio que não entendam o que sou eu e o que não é. E o que eu quis omitir de propósito. E que vejam coisas que não foram ditas, mas deveriam ter sido. Toda vez que me vejo na situação de ser lida eu me sinto muito mais vulnerável do que eu gostaria. Na exposição do meu tcc, na vez que levei uma poesia pra sala de aula como trabalho (meio vergonhoso escolher escrever uma poesia como trabalho por si, mas tudo bem), quando alguém disse que leu algo que eu escrevi. Eu tenho medo e vergonha e todo tipo de insegurança possível. Eu deveria ter feito melhor. Sempre.

Então em um momento eu só descobri que eu não seria escritora. Ainda bem. Porque eu gosto de escrever como um momento de pensar, e as coisas não são muito organizadas e não pretendem nada. De quando em quando eu redescubro o prazer de escrever, já que é só por escrever.

Mas ainda, de vez em quando, eu penso que eu poderia escrever um livro. como qualquer outra pessoa que gosta de ler e já em algum momento achou que sabia escrever.

23/07/2025

coisas a se fazer (e talvez a já negação, mostrando que não farei por motivos mínimos)

infelizmente temos que admitir que às vezes é coisa de fazer uma lista e falar VOU FAZER. mesmo que eu esteja há dias e dias escrevendo e repensando essa lista e simplesmente não fazendo nada. pensar que quero fazer algo pode já ser o suficiente, não? não. quero acreditar que não, e que no momento que eu colocar de fora não privada, mesmo que nesse ambiente pouquíssimo visitado, eu vou começar a pensar nisso de verdade.

1. tentar correr um pouco: não quero aumentar a distância das minhas caminhadas mas definitivamente preciso aumentar a intensidade. o lugar que gosto de caminhar tem quatro faces, irei escolher uma para começar. mas eu vou ser bem sincera: não acho que eu vá, de fato, fazer isso. logo vai começar o verão, e o verão na minha cidade, ainda mais nas condições climáticas atuais, é bem intenso. eu odeio suor, minha pele coça, minha pressão cai. então daqui dois meses não vai parecer tranquilo e pouca coisa, vai começar a ser esforço o suficiente a rota que eu faço. e outra coisa muito importante furo nesse: eu ando meio sem músicas para exercício físico nessa cabecinha. precisando desbravar músicas para isso. mas ando meio com preguiça de fone de ouvido, só uso na hora de ir pra academia e na hora de ir fazer minha caminhada, que ai não é o momento de pensar muito sobre a música né?

2. bordar algo: ontem tentei bordar uma estrela, e lembrei que na verdade é uma coisa bem legal, e se você não tá preocupada com o verso da peça, é uma atividade bem intuitiva e que, o pior cenário, é ter que desmanchar. o que é importante ressaltar é que eu queria muito bordado com miçangas, então também tem o fato que preciso comprar miçangas. (isso foi escrito há dias. fui fazer uma roupa de festa junina e não achei muito intuitivo. não foi um bordado, foi fazer um remendo em formato de coração. mas é algo a se estudar.)

3. fazer alguma receita longa que nunca fiz: com frequência lá em casa falam sobre algo que cozinhei na pandemia. lá em casa todo dia saía uma pizza, um bolo, um pão árabe. depois disso, nunca mais peguei para fazer alguma coisa muito demorada, com medidas, com tempo de descanso. e não é como se eu não tivesse tempo... só preciso escolher uma que faça sentido, talvez um doce? não sei.

4. encontrar uma nova rotina que funcione: eu estou há quase um ano com a mesma rotina, e ela estava funcionando. só que parou de funcionar. trabalho - almoço - tiktok - academia - arrumar a casa - banho/lanche - estudo - filme/livro/não fazer nada parecia excelente. aí não era mais. troquei pra colocar uma caminhada no fim da tarde, de fato foi um excelente escolha em qualidade de vida, mas sem tomar banho e não sendo na minha cama, meu estudo rende nada. e não, eu não vou tomar dois banhos, estão onze graus lá fora. então também não está funcionando muito, preciso pensar ainda outra coisa.
(atualizações depois que comecei a escrever esse texto e larguei n°1: não está mais frio, mas igual não quero tomar dois banhos em um período de duas horas. no momento, minha mãe está de férias, o que dá uma bagunçada na rotina de modo geral, mas estamos trabalhando nisso.

atualizações depois que comecei a escrever esse texto e larguei n°2: acho que estou conseguindo encaixar direito as coisas que preciso fazer. o problema, pensando agora, era o frio. ele acaba com qualquer vontade que eu tenha de viver. mas essa semana que passou e essa presente já têm sido muito mais organizadas, com a sensação de que as coisas realmente estão sendo feitas, sono indo bem, exercícios físicos, estudos, trabalho, lazer devidamente bem colocado todos os dias, lavagem de cabelo também tá indo muito bem. o que não tá excelente é alimentação, e ontem, após comer uma quantidade meio absurda de cachorro quente e passar um pouco mal, talvez seja esse meu foco que é parar de comer coisinhas perdidas várias vezes ao dia e voltar pra fazer fazer refeições igual eu sei que é o melhor jeito pro meu corpo. não sei se era bem esse o foco desse tópico, essas pequenas coisas do dia a dia, mas acho que cabe, são essas coisas que formam a rotina, não?
)

OBS.: após esse devaneio todo que foi para dois lugares diferentes depois de dias diferentes, como é importante ter esse registro de vários dias, e como a gente só tem percepções diferentes conforme o humor do dia. um dia meio qualquer coisa faz eu questionar a minha vida inteira. aí uns dias bons e tudo já é lindo novamente. eu iria apagar e reescrever e talvez retirar essa questão da rotina, mas talvez até eu terminar essa lista eu já esteja infeliz, de novo, com tudo o que eu tenha feito. e aí eu vou poder ler e ver que, pensando bem, eu só tive uma semana meio bagunçada, mas de modo geral, tá tudo muito bem. isso tudo é muito mais um exercício de pensar nas coisas em dias que eu sinto que talvez não esteja muito acontecendo, racionalizar o que penso que pode ser possível ou não do que realmente fazer uma lista definitiva.

5. costurar algo: acho que vem um pouco da mesma ideia do bordado, a diferença é que definitivamente estarei tendo que ter uma máquina. e pensando se eu pego a máquina grande, já existente, mas que não cabe em muitos lugares no meu quarto, ou compro uma daquelas da shopee de doze pontos. mas eu tava desde o começo do ano querendo fazer uma bolsa. e bordar ela. as vezes é isso. uma bolsinha com meu bordadinho. (reflexão do tempo: a recente experiência da roupa junina, que na verdade foi julina, realmente me disse que eu preciso de um máquina, à mão que não vai ser. quanto a bolsa: achei uma belíssima na shopee. outra coisa: divido quarto e minha irmã achou ruim qualquer baguncinha. o que é bem chato porque tava tudo em cima de uma mesa e o quarto também é meu, mas......)

6. reler lugar feliz: foi, nos últimos tempos, o livro que mais mexeu comigo. tenho vontade reler e chorar o mesmo tanto? mas eu não sei se ele bateria do mesmo jeito. enfim. em algum momento. ele está na prateleira.

7. ler mais, de modo geral: quando eu lembro que amo ler é ótimo. mas também, achar livros ultimamente que eu esteja amando ler está difícil. mas comecei a tirar o kindle da bolsa no trabalho, e quando tenho um tempinho livre, em vez de ir para o celular, estou tentando pegar mais ele. uma excelente troca. acabei de ler em coisa de uma semana querida tia, da Valérie Perrin. eu gosto muito dos livros dela, o jeito que ela constrói a história, mas sempre é DEMAIS. nesse no último minuto ela adiciona uma informação desnecessária, que, pra mim, quebra completamente o clima, simplesmente não faz sentido, sabe? mas fizeram minhas manhãs felizes nessa semana que tava meio devagar o trabalho, principalmente com atividades curtas. mas também não tenho nenhuma meta, nem nada. é só que é um é uma das atividades que mais me conecta comigo mesmo, desde que me entendo por gente. o tempo da leitura é também o tempo de estar ali com o livro olhando para o nada. enfim.

8. me reconectar um pouco com a minha (pouquíssima) espiritualidade: acho que cada um tem a sua ferramenta para acessar seus pensamentos, desejos, frustrações, reclamações, o fundo das coisas humanas que são impalpáveis. eu nunca fui uma pessoa muito crente de nada. esses tempos vi alguém em algum lugar da internet falando que ficou chocada ao descobrir que as pessoas realmente acreditavam nas coisas que estavam sendo feitas na igreja, e não estavam fingindo, igual ela. e eu me sinto um pouco assim desde que me entendo por gente. nunca me senti tocada por religião, nunca nada de, sei lá, simpatia ou coisa do tipo, funcionou comigo, essas coisas. mas também nunca desacreditei de nada, tanto que, de fato, nunca fui longe em nada com um viés mágico, porque vai que, de fato, acontece algo, mas eu, com meu semi ceticismo, não estou devidamente munida das ferramentas para lidar com aquilo... mas o jeito que eu, nos últimos anos, encontrei para me conectar com o que talvez não possa ser pensado no modo normal foi o tarô. mas ultimamente, as minhas tiragens tem sido… mornas. eu não consigo olhar muito e pensar além de palavras chaves e situação legal ou não legal na vida. então precisamos voltar a estudar para além de um ou outro vídeo no tiktok. é. estarei vendo alguns livros (mas isso terei que ver no tiktok algumas sugestões. quais são os bons livros sobre o assunto?)

eu acho que vou parar por aqui, por hora. acho que estou mais indo atrás das justificativas de não fazer do que de jeitos de, de fato, fazer. e também eu já vou começar com aquelas coisas que eu nem quero mesmo fazer, tipo, escrever um livro. fazer um desenho por dia. viajar para um lugar que definitivamente não me cabe financeiramente. achar uma fonte de renda alternativa para fazer essa viagem acontecer. aprender sobre investimentos. deixar a franja crescer. arrumar meu guarda roupa. começar a arrumar a cama ao acordar… ou coisas que eu já meio que faço mas que, no momento, não tá indo muito bem, tipo guardar dinheiro, fazer um curso sobre algo novo, etc.

enfim.

04/07/2025

pensamentos da semana versão estendida além da anotação no bloco de notas

quando as direções da vida mudam, e você tem que colocar as coisas à limpo para os outros entenderem. mas por que os outros deveriam entender? por que deveriam se quer saber? e aí, do nada, a conversa arranha, cheia de ruído, porque tudo foi indo, e indo, e indo, e o ponto inicial de explicar já se passou, não era importante no momento. nem agora.

não é IMPORTANTE, mas toda vez que o assunto passa, de leve, é estranho. não é mais. não tem mais.

são vários pontos, tudo mudou. pouco mudou. nomes, talvez. alguns lugares? omitir as coisas. preguiça de ser honesta, apenas para não ter que me explicar muito. o tempo passou.

***

mas eu não tenho sentimentos ruins, em relação a nada. sinto que isso é um problema, me faz pensar que eu não estou indo fundo nas coisas. eu não vou até o fim, e o caminho da volta é fácil. parece humilhante às vezes; não é um sentimento de superioridade. eu realmente não me importo. mas eu me importo com a minha imagem, externa, é claro que me importo. eu sinto frustação com as coisas que aconteceram e com as que não aconteceram, é claro. mas raiva? raiva não. e talvez eu seja alheia a minha própria vida, talvez eu seja só uma pessoa tranquila. eu realmente não sei. 

nada parece ser muito grave, nada parece ser muito intenso. o problema está no começo (e por isso no final não vira nada?) ou o problema está no todo?

ou ainda, não é problema nenhum?

***

resolver o que foi pensando ha muito tempo é muito engraçado; num dia eu poderia jurar que se houvesse uma possiblidade, seria uma nova oportunidade. somos diferentes, mudamos. claro que sim. eu me sinto melhor, eu sei que estou melhor. e você?

mas cai, então, essa ideia. tendo convergido novamente, mostra-se que não. 

e no fim, o que foi é exatamente o que era para ter sido. não há parte melhor, momento melhor, pessoa melhor. para mim, que sempre achou que poderia ter sido mais, fico feliz que cheguei nesse lugar. demora um tempo, mas depois faz sentido para sempre, em todas as outras situações.